O apartamento intacto de uma socialite fechado durante 70 anos foi encontrado

Em 2014, a história de um apartamento abandonado em Paris chamou a atenção da França e do mundo inteiro. O imóvel, que ficou sem morador durante 70 anos, não teve nenhuma conta atrasada, e durante décadas as pessoas se perguntavam o que havia lá dentro.

A dona do imóvel saiu do apartamento antes da Segunda Guerra Mundial, fugindo para a região sul da França. Ela nunca mais voltou, e segundo o jornal britânico ‘The Telegraph’, ninguém o habitou durante todo esse tempo. O surpreendente é que as contas eram pagas metodicamente, mesmo sem ninguém entrar lá durante muitos anos.

O apartamento intacto de uma socialite fechado durante 70 anos foi encontrado
Divulgação/Youtube

Foi apenas em 2010, com a morte da proprietária, aos 91 anos de idade, que o mistério chegou ao fim. Como as autoridades precisavam fazer o inventário da falecida, a propriedade precisou ser analisada, e por isso um grupo de profissionais foi encarregado desta função. Ao chegarem no imóvel, que fica localizado próximo à igreja Trinité, em Paris, eles tiveram uma grande surpresa.

Segundo os profissionais, entrar no imóvel foi como “tropeçar no castelo da Bela Adormecida”. Lá dentro, o tempo parece ter parado em algum momento em 1900.

Tetos de madeira, um fogão a lenha, pias de pedra na cozinha, animais empalhados e penteadeiras rústicas estavam entre os artefatos encontrados.

Olivier Choppin-Janvry, um dos responsáveis pela análise do apartamento, disse que perdeu o fôlego ao entrar no imóvel, principalmente pela presença de um objeto raríssimo e impressionante: Uma pintura do italiano Giovanni Boldini, que viveu entre 1842 e 1931. O quadro, que mostra uma mulher com um vestido de gala, foi supostamente pintado como uma homenagem à musa do artista na época, que por sinal era a avó da dona do apartamento.

O apartamento intacto de uma socialite fechado durante 70 anos foi encontrado
Divulgação/Youtube

A musa, Marthe de Florian, também era um atriz admirada por várias outras pessoas, que mandavam a ela inúmeras cartas apaixonadas e até mesmo pedidos de casamento. Entre os admiradores, cujas cartas foram muito bem guardadas, estava o 72º primeiro-ministro da França, George Clemenceau. Olivier Choppin-Janvry disse ter suspeitado que a pintura era de Boldini, mas não havia nenhuma identificação de autoria no quadro.

“Nenhuma livro de referência dedicado a Boldini mencionou este quadro, que aparentemente nunca foi exibido”, disse Marc Ottavi, especialista em arte consultado por Olivier para investigar o mistério.

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Boldini morreu em 1931, e seu trabalho foi perdendo valor comercial à medida em que a moda foi mudando ao longo do tempo. Hoje, seu trabalho é mais apreciado pela raridade dos seus quadros e também pelo sentimento que muitos nutrem por artefatos antigos e históricos. Há, inclusive, um museu inteiro dedicado à arte de Boldini em Ferrara, na Itália.

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