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O que aconteceria se usassem todas as armas nucleares do mundo ao mesmo tempo?

Com os recentes e aterrorizantes comentários do presidente Donald Trump sobre aumentar o arsenal nuclear dos Estados Unidos e não descartar a ideia de usar estas armas no Oriente Médio ou na Europa, nós sentimos que seria uma boa repassar o que aconteceria na eventualidade de um apocalipse nuclear. O que aconteceria se todas as armas nucleares do mundo fossem detonadas?

Em resumo, nada de bom. Aqui estão os detalhes matemáticos e científicos por trás deste sombrio fim do mundo.

Da Russia, com amor.

Primeiro, vamos analisar o que inúmeros países possuem em seu arsenal nuclear.

De acordo com os dados atuais, existem 14.900 ogivas nucleares no mundo. Os EUA possuem 6,800 e a Rússia 7,000, formando a vasta maioria dos destruidores de cidades no mundo. O Reino Unido tem 215, França 300, China 260, Índia 120, Paquistão 130, Israel por volta de 80, e a Coreia do Norte meramente 10.

A efetividade de cada um destes varia consideravelmente. Os EUA e a Rússia, por exemplo, têm armas termonucleares superpoderosas, ao passo que a Coreia do Norte mal consegue alcançar algo além dos antigos dispositivos de fissão de plutônio.

Uma das armas mais poderosas no arsenal americano é o B83, que têm uma capacidade explosiva equivalente a 1,2 megatons de TNT. Isso se compara a quase 5 quadrilhões de joules de energia, ou 79 das “pequenas bombas” de Hiroshima.

Digamos que uma destas bombas estourasse em Moscou, por que o presidente Trump perdeu uma briga de Twitter com o presidente Putin e tudo se intensificou rapidamente. Se ela detonasse na superfície, deixaria uma cratera de 420 metros de largura e 92 metros de profundidade, de acordo com o NukeMap, de autoria do historiador nuclear Alex Wellerstein.

Quase instantaneamente após a detonação, uma bola de fogo gigante iria aparecer, com um tamanho de 5,7km² e alcançando temperaturas de até 83,3 milhões de graus Celsius.

Usando até 50% de toda a energia da ogiva, também ocorreria uma onda de pressão enorme. Todos os prédios dentro de um raio de 16,8km² da área seriam totalmente esmagados.

Graças a radiação térmica – que usa 35 por cento da energia explosiva – todos em uma área de 420km² iriam sofrer queimaduras de terceiro grau, que só é dolorida por uma fração de segundo, pois destrói completamente os nervos.

E então temos a radiação de ionização e chuva radioativa. Presumindo que não tenha vento na hora, nós podemos supor que uma área de 20,6 km² receberia uma radiação tão pesada que 50% a 90% das pessoas dentro dela iriam morrer de doenças causadas por radiação.

Nos veremos de novo.

Ok, então agora vamos destruir o mundo.

A fim de conseguir um rendimento explosivo bem agressivo para todas as armas nucleares do mundo, nós vamos incluir somente o arsenal dos EUA e da Rússia, mas pressupondo que todas estas armas são tão poderosas quanto o B83. São 13.800 bombas termonucleares, que juntas produzem tanta energia quanto todos os EUA produzem em um ano.

Cada um destes dispositivos vai atingir o solo e detonar na superfície. Supondo que, ao serem lançados, eles sejam uniformemente espaçados ao longo das cidades do mundo, esta ação automaticamente aniquilaria 94 km de terra, mas isso não é nada comparado ao que vem a seguir.

232.000 km² de infraestrutura seriam derrubados na explosão. Isso é o equivalente a mais ou menos 295 metrópoles do tamanho de Nova York reduzidas a pó.

Uma bola de fogo de 79.000km² iria vaporizar literalmente tudo que ela tocasse, e qualquer um em uma área de 5,8 milhões de quilômetros quadrados receberia queimaduras de terceiro grau. Então todo mundo no espaço equivalente a 3,700 cidades do tamanho de Londres seriam queimados.

Por fim, a precipitação radioativa e radiação ionizante contaminariam uma área de cerca de 284.000km² e dariam à maioria dos sobreviventes iniciantes doenças causadas por radiação. É claro, muito desta precipitação iria alcançar a atmosfera mais baixa e se espalhar para o resto do mundo, então as baixas seria muito maiores ao longo do tempo.

Assim, no mínimo, centenas de milhões, talvez bilhões, morrerão dentro da primeira hora. Isso já é terrível o suficiente, mas o que acontece a seguir?

O inverno está vindo.

Inverno nuclear é um evento hipotético que se parece um pouco com o inverno vulcânico. Durante as mais fortes das erupções, muitos gases comprimidos e partículas finas são produzidos. Eles são incrivelmente refletivos, e se conseguirem atingir a atmosfera mais alta, eles acabam esfriando o planeta.

Historicamente, humanos têm testemunhado esfriamento vulcânico por vários anos de cada vez. Antes da nossa existência, vários eventos de extinção em massa foram provocados por erupções vulcânicas que – enquanto também o aqueciam com uma grande explosão de dióxido de carbono – esfriavam o mundo por centenas de anos de cada vez, talvez até mais.

Um inverno nuclear é essencialmente o mesmo, exceto que o mundo só iria esfriar e que o material cinzento seria radioativo. Respire esse ar por tempo suficiente e você rapidamente morrerá. Então, quantas bolas de fogos nucleares são necessárias para iniciar um inverno nuclear poderoso?

Um estudo sugere que 100 explosões como as de Hiroshima produziriam fuligem preta de carbono o suficiente para causar um “pequeno” inverno nuclear. O que reduziria 1° C na média da temperatura global, compensando o recente aumento causado pelo aquecimento global – problema resolvido, então?

Se todas as armas nucleares do mundo fossem disparadas, haveria uma redução de aproximadamente 100% da radiação solar atingindo a superfície da Terra por muitos anos, ou seja, o planeta ficaria cercado por uma escuridão perpétua durante esse tempo. A luz entraria vagarosamente cada vez mais, mas muito lentamente durante as próximas décadas, ou até mesmo séculos.

Isso iria impedir a fotossíntese. Somente as plantas mais fortes não iriam morrer, o que levaria a um colapso nas cadeias alimentares globais. Ocorreria um evento de extinção em massa – inclusive, talvez, da nossa própria espécie – e os sobreviventes teriam que cuidar de si mesmos em um cenário de irradiação.

Então é, não seria muito legal. Vamos torcer para que Trump e Putin não tratem o botão nuclear tão impulsivamente quanto envima seus tweets.

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