O uso regular da maconha pode danificar a saúde de adolescentes e adultos jovens

Créditos: David McNew/Getty Images
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Traduzido e adaptado do texto da Associação Americana de Psicologiapublicado em 09 de Agosto de 2014


O uso frequente da maconha pode ser um efeito negativo significante no cérebro de adolescentes e adultos jovens, incluindo o declínio cognitivo, falta de atenção e memória e baixo QI, de acordo com psicólogos que discutiram as implicações da legalização da maconha na saúde pública na 112° Convenção Anual da Associação Americana de Psicologia.

“É necessário que se enfatize que o uso regular (uma dose por semana) da cannabis não é seguro e pode ocasionar, em consequência, problemas cognitivos , especialmente nos jovens”, diz Krista Lisdahl, PhD, diretos do laboratório de imagens cerebrais e neuropsicologia da Universidade de Wisconsin-Milwaukee.

O uso da maconha está aumentando, de acordo com Lisdahl, que apontou isso em um estudo feito em 2012 (clique aqui para obter o pdf), mostrando que 6,5% dos estudantes do Ensino Médio admitiram que usavam a droga diariamente, um número bastante grande comparado aos 2,4% do ano de 1993.   Adicionalmente, 31% dos adultos (com idades de 18 a 25 anos) alegaram que usaram a maconha no mês passado. Pessoas que têm se tornado cada vez mais dependentes da maconha podem ter a taxa de QI alterada em 6 pontos na idade adulta, de acordo com Lisdahl, baseando-se em um estudo longitudinal de 2012 que envolvera 1.037 participantes monitorados desde o nascimento até os seus 38 anos.

Estudos feitos nas imagens cerebrais dos usuários de maconha mostraram mudanças significantes na estrutura dos órgãos, principalmente entre os adolescentes, Lisdahl diz. Anomalias na massa cinzenta do cérebro, que é associada com a inteligência, foram encontradas em pessoas com 16 a 19 anos que aumentaram o uso da maconha no ano passado, ela diz. Esses resultados permaneceram mesmo após pesquisas levarem em consideração as exposições à droga durante o pré-natal, atrasos no desenvolvimento e deficiências no aprendizado, ela diz.

“Ao considerar a legalização, os políticos devem considerar maneiras de prevenir o fácil acesso à maconha e prover tratamentos adicionais para adolescentes e adultos jovens”, ela diz. Ela também recomenda que os legisladores regulamentem os níveis de exposição ao tetraidrocanabinol, ou THC, o principal composto químico psicoativo da maconha, com o objetivo de reduzir potenciais efeitos neurocognitivos.

Algumas maconhas legalizadas possuem níveis de THC mais altos do que outras linhagens, diz Alan Budney, PhD do Dartmouth College. O THC é responsável pela maioria dos efeitos psicológicos da maconha. Alguns pesquisadores mostraram que o uso frequente em grande quantidade desse composto pode aumentar o risco de problemas no futuro como depressão, ansiedade e psicoses. “Estudos recentes sugerem que essa conexão da maconha com doenças mentais pode ser relacionada com a frequência do uso da droga e com a potência da substância”, Budney diz. “Infelizmente, muito do que nós sabemos dessa pesquisa é baseada no fumo da maconha em pequenas doses de THC, que são as comumente usadas hoje em dia”. Tratamentos recentes que objetivam a dependência entre adolescentes, tais como a intervenção da escola e o aconselhamento ambulatório, podem ser bastantes úteis, mas são necessárias muitas pesquisas para desenvolver estratégias e intervenções mais efetivas, ele adiciona.

Além do mais, a aceitação do uso legalizado da maconha em perspectivas medicinais parece surtir efeito nos adolescentes quanto à percepção dos riscos da droga, segundo Bettina Friese, PhD, do Instituto Pacífico de Pesquisa e Avaliação, na Califórnia. Ela apresentou resultados de um estudo de 2013 feito com 17.482 adolescentes em Montana, no qual inferiu-se que o uso da droga entre os adolescentes é maior em municípios que têm um maior número de pessoas a favor da legalização. Ainda, adolescentes em municípios com mais votos para a legalização desconhecem todos os riscos da droga.


NOTA [1] : O texto não reflete a opinião do grupo responsável pelo site. Se há alguma crítica a ser feita, ela deverá ser direcionada unicamente ao tradutor ou ao escritor (na publicação original) dessa postagem.

NOTA [2]: Sabemos que a maconha não é a única substância psicoativa e que não é só ela que pode trazer males à saúde.

NOTA [3]: Comentários ofensivos ou falaciosos, que não apresentem evidências ou que sejam baseados no senso comum serão ignorados.

NOTA [4]: Sabemos que a taxa de criminalidade de locais onde maconha foi legalizada diminuiu, mas isso pode demonstrar apenas uma correlação, não uma causa. 

NOTA [5]: Como o texto foi escrito pela Associação Americana de Psicologia, ele visa A SAÚDE dos cidadãos americanos, portanto tenta, por meio de um FATO CIENTÍFICO, orientar o caminho mais saudável e menos prejudicial a ser seguido, sem, contudo, violar a liberdade individual. 

NOTA [6]: Sabemos que ninguém nunca morreu por overdose de maconha. 

NOTA [7]: Os dados estatísticos aqui relatados são dos Estados Unidos (não do Brasil). 

NOTA [8]: Sabemos que a maconha pode ter efeitos medicinais.

Dicas de leitura:

[1] O uso descontrolado de maconha pode danificar o local do cérebro responsável pelo prazer

[2] Afinal, Podemos Morrer por Overdose de Maconha?

[3] Os efeitos do Uso Regular da Cannabis na Neurocognição de Adolescentes e Adultos Jovens, de Krista Lisdahl (em inglês)

[4] Epidemiologia clínica, características, serviços e resultados para os jovens com transtorno de dependência da cannabis: Status do problema e expectativas para o futuro, de Alan Budney  (em inglês)

[5] Legalização da maconha medicinal e o seu uso entre os jovens, de Bettina Friese (em inglês)

 

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