Os ruivos vão mesmo entrar em extinção?

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Em Agosto de 2007, muitas organizações relataram que os ruivos se tornariam eventualmente extintos. Outros novos sites e blogs pegaram a ideia, citando a Oxford Hair Foundation (Fundação de Oxford para os Cabelos, em inglês) ou “geneticistas” que supostamente alegaram que não haveria mais nenhum ruivo até 2060. Mas, na verdade, todas essas pessoas estavam erradas. Ruivos devem existir e estar à nossa volta até muito mais de 2060.

A história da extinção dos ruivos veio à tona na Internet em 2005, com muitos artigos direcionados para a Oxford Hair Foundation como fonte. Esses artigos trabalham no postulado errôneo de que os genes recessivos podem “morrer”. Na verdade, os genes recessivos podem se tornar raros, sem, porém, desaparecer completamente a menos que todo mundo que esteja carregando-o morra ou falhe na reprodução. Então, enquanto os ruivos talvez se tornem raras, pessoas o suficiente ainda carregarão o gene responsável por essa característica, então, talvez ele volte a se expressar novamente.

Alguns dos artigos que defender a extinção referiam-se à Oxford Hair Foundation como um instituto “independente” ou centro de pesquisas, mas uma simples pesquisa no Google nos mostra que a fundação foi consolidada pela Proctor & Gamble, responsável pela produção de vários produtos para cabelos – incluindo tinta vermelha

Na onda alarmista mais recente sobre a extinção dos ruivos, algumas pessoas citaram incorretamente uma edição de Setembro de 2007 da National Geographic como fonte. Outros, corretamente, citaram que a tal edição apenas apresentou dados estatísticos demonstrando uma minoria de ruivos. Na verdade, a National Geofgraphic forneceu alguns dados sobre a população deles no mundo, mas apenas disse que “reportagens” afirmaram que haveria a extinção. Não há nada explicitado! Pelo contrário, o artigo diz que “enquanto a população ruiva talvez diminua, o potencial para ser um deles ainda continua”. Infelizmente, o equívoco sobre o desaparecimento dessas pessoas ainda continua.

Especialista que foram entrevistados concordam que a extinção dos ruivos é falsa. David Pearce, do Centro Médico da Universidade de Rochester disse ao Rochester Democrat and Chronicle, em 2005, que os cientistas por trás da história original deveriam “conferir seus cálculos”. Rick Sturm, pesquisador de genética do cabelo e da pele na Universidade de Queensland, disse ao Australian Broadcasting Company que “não há nenhuma falta de ruivos” e a Oxford Hair Foundation não forneceu nenhuma evidência científica suficiente para provar o que foi falado.

Os cabelos vermelhos derivam de uma mutação no gene MC1R. É também um gene recessivo, então, para que haja uma chance de nascer um filho ruivo, os seus dois pais devem ser heterozigotos, carregando uma versão mutante do gene MC1R. Por conta do seu caráter genético, a característica pode muito bem saltar de gerações. Ela pode reaparecer em pessoas depois de muitas e muitas gerações.


Fontes:

  • “Gingers extinct in 100 years, say scientists.” The Courier Mail. News.com.au. Aug. 23, 2007. http://www.news.com.au/story/0,23599,22289183-2,00.html
  • “Red Alert.” National Geographic. September 2007. Page 14.
  • Flanigan, Robin L. “Will rare redheads be extinct by 2100?” Rochester Democrat and Chronicle. The Seattle Times. May 9, 2005. http://seattletimes.nwsource.com/html/living/2002266852_redhair09.html
  • Kittel, Nicholas. “Redheads not disappearing: Assoc. Prof.” ABC Canberra. Jan. 15, 2007. http://www.abc.net.au/canberra/stories/s1827248.htm
  • Miller, Larry. “Britain’s Persecuted Redheads.” CBS News. July 14, 2007. http://www.cbsnews.com/stories/2007/07/13/london/main3055185.shtml
  • Starr, Barry. “Ask a Geneticist.” http://www.thetech.org/genetics/ask.php?id=173

Traduzido e adaptado de:

http://science.howstuffworks.com/life/genetic/redhead-extinction.htm

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