f

Os trópicos podem aquecer mais do que o previsto em estudos anteriores, indica pesquisa

Originalmente por Mike Mcrae | Science Alert

Traduzido e adaptado por Matheus Gonçalves.

Na década de 1990, dois físicos propuseram um modelo que descrevia como a formação de nuvens sobre as águas do Oceano Pacífico estabelecia um limite superior de temperatura nos trópicos. Descobertas recentes refutaram a necessidade de qualquer modelo, mostrando que as temperaturas provavelmente excederam este limite hipotético há 56 milhões de anos atrás.

A primeira proposta, em 1991, teve uma recepção calorosa por parte das pessoas que negam o aquecimento global, porque sugere que há um limite para o quão ruim as coisas podem chegar. Os climatologistas, evidentemente, não viram da mesma forma.

Partindo das temperaturas coletadas em águas tropicais, os proponentes da hipótese sugeriram que os trópicos provavelmente nunca alcançarão temperaturas médias maiores que 31º C na superfície do mar. Embora tenham surgido duras críticas aos mecanismos hipotéticos, as evidências de águas tropicais com temperaturas médias acima de 31º C em qualquer momento da história eram desconhecidas.

Agora, uma equipe da Universidade de Purdue publicou provas de que as águas dos oceanos tropicais não apenas foram mais quentes do que este valor, mas foram as mais quentes do oceano nos 100 milhões de anos.

O cálculo da temperatura oceânica de milhões de anos atrás exige desenterrar sedimentos que foram depositados naquele momento, e em seguida analisar a química dos restos de organismos marinhos mortos. Neste caso, os pesquisadores tiveram um problema, dada a dificuldade para acessar sedimentos marinhos tropicais do período.

Eles encontraram uma pequena porção de material na Nigéria e estudaram os tipos de organismos dentro dele, assim como mediram a proporção dos isótopos em suas conchas para estimar as temperaturas do período. Combinados, seus resultados indicaram temperaturas de cerca de 33º C na superfície, mas podendo chegar aos 36º C.

O período foi acompanhado por uma extinção em massa, com até metade dos foraminíferos desaparecendo em um período de 1000 anos, o que desestabilizou uma cadeia alimentar de longo alcance. Matthew Huber, parte do grupo dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, atribuiu estas mortes ao rápido aquecimento dos oceanos tropicais, colocando isto como um grave aviso sobre eventos similares que podem acontecer em um futuro não tão distante.

Você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...