Partículas que refletem a luz solar podem diminuir o aquecimento global

Caso tudo aquilo que foi concordado no pacto climático assinado em Paris no último ano seja colocado em prática, passaremos por uma nova fase de diminuição das emissões de carbono em todo o mundo. Mas os cientistas dizem que existe outra maneira de reduzir o aumento da temperatura global ao mesmo tempo.

Em um processo chamado de geoengenharia solar, partículas que refletem a luz podem ser introduzidas na estratosfera do Terra para rebater os raios solares para o espaço, mantendo o planeta um pouco mais fresco. Ainda que esse conceito controverso já tenha sido discutido por décadas, os riscos da geoengenharia deixaram as pesquisas nesse tema de lado… mas agora os pesquisadores dizem ter uma maneira de fazer isso de forma segura.

A geoengenharia solar normalmente se refere a dispersar aerossóis ricos em partículas de enxofre na estratosfera. Isso ocorre naturalmente durante explosões vulcânicas, quando as partículas refletem a luz do sol, resultando em um efeito de resfriamento em nosso planeta.

Mas o problema com esses aerossóis, de acordo com pesquisadores de Harvard, é que eles produzem ácido sulfúrico na estratosfera, o que pode danificar a camada de ozônio. Mas e se nós utilizássemos outro tipo de aerosol, que continuasse refletindo a luz do sol, mas não destruísse a camada de ozônio?”.

“Toda vez que você introduz superfícies inicialmente não reativas na estratosfera, você obtém reações que acabam resultando na destruição da camada de ozônio, uma vez que elas são revestidas com ácido sulfúrico”, diz o cientista atmosférico Frank Keutsch, da Escola John A. Paulson de Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard. “Em vez de tentarmos minimizar a reatividade do aerosol, nós buscamos um material altamente reativo, mas de uma maneira que a evitar a destruição da camada de ozônio”.

Procurando por partículas capazes de neutralizar o ácido sulfúrico, nítrico e hidroclorídrico, a equipe recorreu à tabela periódica.

Eventualmente, depois de extensivas simulações, eles descobriram que a calcita – presente no calcário – era exatamente o que eles precisavam, já que ela pode converter os ácidos em sais estáveis.

Simulando as condições da estratosfera em experimentos de laboratório, a equipe chegou à conclusão de que a calcita pode de fato refletir a luz branca sem prejudicar a camada de ozônio. Outro fator que conta a seu favor na geoengenharia solar é a sua abundância na Terra.

No entanto, os próprios cientistas admitem que mais pesquisas e estudos devem ser realizados antes de começar a utilizar o componente químico para essa finalidade. “A química estratosférica é complicada, e nós ainda não entendemos tudo sobre ela”, disse o físico David Keith.

Ainda que o componente possa ser benéfico, nesse sentido, para a camada de ozônio, os cientistas ainda não sabem bem quais podem ser os efeitos da chuva rica em sais – resultante da conversão dos ácidos em sais – nos oceanos, solos e regiões polares.

Muitos cientistas ainda dizem que a geoengenharia solar é uma “distração sem provas” que rouba atenção e recursos das ciências já estabelecidas das energias limpas e renováveis. E os potenciais riscos de uma geoengenharia malfeita não podem ser desprezados, já que eles constam em uma lista de riscos catastróficos globais, publicada mais cedo neste ano.

Confira, em inglês, um pouco mais sobre a pesquisa que já foi realizada sobre o tema no vídeo abaixo.

Fonte: ScienceAlert

Você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...