‘Pelo menos 150.000 toneladas’ de água congelada descobertas no topo dos vulcões mais altos de Marte

por Lucas
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Gelo de água foi detectado no topo dos maciços vulcões equatoriais de Marte, desafiando suposições anteriores sobre a impossibilidade da presença de água nesta região. Cientistas observaram uma fina camada de geada nos picos dos vulcões na região de Tharsis, que abriga as maiores montanhas do sistema solar, com alturas quase três vezes superiores ao Monte Everest. Em períodos mais frios, essa geada pode acumular até 150.000 toneladas de água, o equivalente a 60 piscinas olímpicas.

Adomas Valantinas, pesquisador de pós-doutorado na Universidade Brown e autor principal do estudo, afirmou que a formação de geada ao redor do equador de Marte era considerada improvável devido à mistura de luz solar e à atmosfera fina do planeta, que mantém temperaturas diurnas relativamente altas tanto na superfície quanto no topo das montanhas. Ao contrário da Terra, onde picos cobertos de gelo são comuns, pensava-se que Marte era muito quente durante o dia para a formação de geada.

Os pesquisadores descobriram que a geada se acumula nos cumes das montanhas durante a noite e evapora com o calor do sol pela manhã. Essa descoberta é significativa para modelar o comportamento da água em Marte, o que é crucial para futuras missões de exploração humana. O estudo foi publicado em 10 de junho na revista Nature Geoscience.

A geada foi inicialmente observada pelo Orbitador de Rastreio de Gases (TGO) da Agência Espacial Europeia, que capturou imagens coloridas de alta resolução nas primeiras horas da manhã. Após examinar 30.000 imagens tiradas pelo orbitador, os pesquisadores confirmaram a existência da geada, descrevendo-a como uma pátina azul etérea que se forma em microclimas únicos de Marte devido ao ar frio que sobe para os picos.

Valantinas sugeriu que esse fenômeno pode ser um remanescente de um antigo ciclo climático em Marte, onde precipitações e possivelmente neve ocorreram nesses vulcões no passado.

Passado aquático de Marte

Evidências crescentes sugerem que Marte teve um passado aquático significativo, transformando nossa compreensão do Planeta Vermelho. Diversas missões, incluindo orbitadores, landers e rovers, forneceram dados que indicam a presença histórica de água em Marte, tanto na superfície quanto no subsolo.

As primeiras indicações vieram de imagens de vales e canais fluviais, capturadas por orbitadores como o Mars Global Surveyor. Esses canais, muitos dos quais se assemelham a redes de drenagem encontradas na Terra, sugerem que grandes volumes de água uma vez escoaram pela superfície marciana. A presença de minerais hidratados, como argilas e sulfatos, detectados pelo rover Opportunity e pelo orbitador Mars Reconnaissance Orbiter, também fornece evidências de ambientes aquosos antigos.

O rover Curiosity, que pousou em Marte em 2012, encontrou ainda mais provas do passado aquático do planeta. Explorando a cratera Gale, o Curiosity descobriu leitos de rios antigos e sinais de lagos que podem ter existido por milhões de anos. As análises de rochas sedimentares revelaram a presença de moléculas orgânicas e minerais que se formam na presença de água, reforçando a hipótese de que Marte teve condições habitáveis no passado.

Além disso, o rover Perseverance, que aterrissou em 2021, está explorando a cratera Jezero, um antigo delta fluvial que pode conter fósseis de formas de vida microbianas. A descoberta de depósitos de carbonato e sílica pelo Perseverance indica que a água líquida estava presente na superfície de Marte por períodos prolongados.

Pesquisas recentes também sugerem que Marte pode ter tido oceanos. Modelos climáticos e topográficos indicam que vastas quantidades de água poderiam ter coberto grande parte do hemisfério norte do planeta. A descoberta de gelo de água subterrâneo e evidências de geleiras antigas apontam para a possibilidade de que Marte ainda abriga reservas significativas de água congelada.

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