Pesquisadores estão mais perto da cura da leishmaniose canina

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Quem já teve o cachorro levado pela carrocinha por ele apresentar sintomas da leishmaniose visceral sabe o quanto a situação é triste. No Brasil, essa doença é responsável pelo sacrifício de um número incontável de cães. Porém, essa situação pode estar com os dias contados. Uma pesquisa coordenada pelo professor Frédéric Frézard, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pretende desenvolver uma nova forma de tratar cães contaminados.

A doença só pode ser transmitida pela picada do mosquito palha, na qual o agente causador da leishmaniose é transmitido a um hospedeiro. Mas, por que então os cães são sacrificados? Os animais e humanos pode funcionar como um reservatório do agente etiológico Leishmania infantum. Ou seja, ainda que a transmissão não aconteça pela via homem-homem ou home-animal e vice-versa, o sacrífico de cães é recomendado em função da tentativa de se controlar a população e disseminação do patógeno. Já que o animal ou humano contaminado, pode ser picado pelo mosquito, que ao picar outro ser saudável é capaz de transmitir a doença. Os cães podem viver com o protozoário no corpo durante muito tempo, sem manifestação dos sintomas da doença. O que preocupa os agentes de saúde.

A pesquisa foi iniciada no ano de 1998 e teve como procedimento inicial a produção do antimonial, medicamento já utilizado no combate a doença, com efeito já bastante conhecido. Posteriormente, os pesquisadores desenvolveram lipossomas e vincularam ao antimonial. A combinação do lipossoma com o antimonial foi conseguida através da utilização de nanotecnologia. Os lipossomas são estruturas no formato de bolsas ou vesículas de fosfolipídios que atuam em meio aquoso. Essa estrutura é bastante sensível, sendo que mantê-la de forma intacta antes de ser injetada no organismo animal foi um dos desafios da esquipe de pesquisa. Outro desafio foi fazer com que o lipossoma chegasse aos locais mais difíceis de serem alcançados, na pele e medula óssea, ainda em quantidade suficiente para matar o agente etiológico.

Os resultados mostraram que 50% dos cães que utilizaram o remédio tradicional associado ao lipossoma foram curados, o que para os cientistas é um percentual nunca atingindo anteriormente no tratamento da leishmaniose visceral. Além disso, todos os animais que participaram da pesquisa não mais eram capazes de transmitir o Leishmania infantum, acabando com a possibilidade de transmissão do agente do homem para o animal e vice-versa.

Os pesquisadores constataram também que o lipossoma aumenta o tempo de ação do medicamento no organismo do cachorro para até quatro dias. Além disso, reduz os efeitos colaterais sentidos pelo animal, por receber uma dose menor no organismo. [Canal Ciência]

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