Pintura de Leonardo da Vinci bate recorde de maior preço em um leilão

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Uma pintura de Leonardo da Vinci que preserva as impressões digitais do artista foi vendida por mais de 450 milhões de dólares (1,5 bilhão de reais) em um leilão em novembro, superando o recorde mundial anterior de obra de arte mais cara já leiloada, de acordo com a Christie’s Auction House.

Christie’s apresentou a pintura, que retrata Jesus Cristo, em uma venda em Nova York. A casa de leilões garantiu a pintura em 100 milhões de dólares, o que significa que pagaria a diferença se os lances não atingissem esse valor. A última vez que a pintura foi vendida, em 2014, foi por 127,5 milhões de dólares. Desta vez, o leilão durou cerca de 20 minutos e foi reduzido a dois lances, com os números já subindo ao longo da quantidade garantida.

Em 1958, a mesma pintura foi vendida por apenas 45 libras esterlinas, o equivalente a 990,50 libras hoje. Isso porque até o final dos anos 2000 ninguém havia percebido que o autor era da Vinci.

Os especialistas em arte estimam que a pintura – intitulada “Salvator Mundi” ou “Salvador do Mundo” – foi feita em torno de 1500. Mas entre 1600 e 2005, este trabalho de da Vinci estava perdido. A pintura, agora conhecida por ser dele, era um retrato de um de seus alunos, e foi fortemente danificada por tentativas grosseiras de conservação.

De acordo com a Christie’s, a história reconstruída da pintura é que da Vinci a pintou em torno de 1500, deixando atrás alguns esboços da sua mão, que o liga ao quadro. Em algum momento, Charles I, da Inglaterra, um grande colecionador de arte, adquiriu a peça. Provavelmente ela pendia nos cômodos da esposa. Charles I foi executado em 1649 depois de uma guerra civil entre os nobres e os parlamentos inglês e escocês, que procuravam conter o poder da monarquia. A obra de arte foi vendida em outubro de 1651 para um pedreiro chamado John Stone.

Stone manteve a pintura até 1660, quando Charles II, filho de Carlos II, retornou do exílio para retomar o trono inglês. Stone então devolveu a imagem ao novo rei, e seu caminho tornou-se desconhecido. Provavelmente ficou no Palácio de Whitehall até o final dos anos 1700, passando da posse de Carlos II para seu irmão James II, quando ele assumiu o trono. Ninguém sabe o que aconteceu depois. A pintura desaparece da história até 1900, quando foi vendida não como uma obra de da Vinci, mas como de Bernardino Luini.

A pintura saltou de mão em mão, inclusive no leilão de 1958, quando foi vendida por não muito mais do que as pessoas pagam pelo iPhone X hoje, e seguiu assim até depois de 2005, quando apareceu no leilão de uma propriedade dos EUA e alguém percebeu o que realmente era.

Após essa venda, em 2007, a conservadora de arte Dianne Dwyer Modestini, do Instituto de Belas Artes da Universidade de Nova York, lançou um projeto para restaurar a pintura, removendo quadros de tinta desajeitados que as pessoas colocaram no painel de madeira para disfarçar marcas e restaurando feias tentativas de emolduração. De acordo com Christie’s, enquanto o fundo da pintura quase desapareceu, a representação das mãos, cabelos e roupas está bem preservada, assim como pequenas inclusões e manchas pintadas na esfera do cristal que ainda são visíveis.

Uma vez que as camadas de sobrepinturas e resinas foram removidas, Modestini percebeu que a pintura pode não ser uma cópia do trabalho da Vinci, de acordo com um artigo de 2011 da ArtNews. Especialistas de todo o mundo examinaram, e logo todos concordaram: a pintura era a original. Em 2011, a pintura foi revelada como uma original da Vinci em uma exposição na National Gallery em Londres.

O tom de pele é misturado com uma técnica chamada sfumato, em que o artista pressiona o calcanhar de sua mão na tinta para borrá-lo. A imagem infravermelha da pintura revelou que essas marcas de mãos ainda estão pressionadas na tinta, particularmente no lado esquerdo da testa.

Traduzido e adaptado de Live Science.

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