Poderia uma espaçonave humana chegar até o Sol?

Por Laura Geggel | LiveScience
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Os seres humanos já conseguiram sucesso em enviar espaçonaves para a Lua, Marte e até mesmo para outras localidades ainda mais distantes no espaço. Mas será que um dia conseguiremos enviar uma espaçonave para o Sol, mesmo com todo seu calor e seu potencial para derreter tudo aquilo que se aproxima? A resposta, por incrível que pareça, é sim, e isso pode acontecer em breve.

Em 2018, a NASA planeja lançar a missão Solar Probe Plus para o Sol. Na verdade, a sonda não irá pousar na superfície do Sol, já que isso é impossível para a nossa tecnologia atual. Entretanto, se aproximará a 6 milhões de quilômetros da estrela – o que é uma distância impressionante.

“Essa será nossa primeira missão de vôo até o Sol”, disse Eric Christian, cientista pesquisador da NASA. “Nós não podemos chegar até a superfície do Sol, mas a missão chegará perto o suficiente para responder três perguntas importantes”, disse.

Primeiramente, a missão tem como objetivo revelar por que a superfície do sol, chamado de fotosfera, não é tão quente quanto a atmosfera do Sol, chamada de corona. A superfície do Sol possui “apenas” cerca de 5500ºC. Entretanto, sua atmosfera possui absurdos 2 milhões de graus celsius. “O raciocínio óbvio é de que quanto mais longe você está da fonte de calor, menor a temperatura. O motivo pelo qual a atmosfera é mais quente que a superfície é um grande mistério”, disse Christian.

Além disso, os cientistas querem saber como o vento solar alcança sua velocidade. “O Sol libera uma corrente de partículas carregadas em todas as direções, em uma velocidade muito alta”, disse Christian. “Mas nós não entendemos como elas são aceleradas”. Nós conhecemos o vento solar há anos, com observadores antigos tendo percebido que a ‘cauda’ de cometas sempre apontam para longe do Sol, mesmo que estivessem viajando em outra direção. Isso sugere que algo estava saindo do Sol em uma velocidade maior que o cometa.

Como terceiro ponto, a missão pode nos explicar por que o Sol ocasionalmente emite partículas de alta energia – chamadas de partículas energéticas solares -, que podem ser perigosas para astronautas e espaçonaves. Os pesquisadores há tempos já tentam desvendar esses mistérios a partir da Terra, mas o problema é que nos estamos a 150 milhões de quilômetros de distância.

Chegar a 6 milhões de quilômetros de distância do Sol tem suas dificuldades. Para lidar com as altíssimas temperaturas, cientistas da NASA desenharam um escudo de carbono que pode suportar até 1370ºC, de acordo com o Laboratório de Físicas Aplicadas da Universidade John Hopkins. Além disso, a espaçonave contará com tubos de calor especiais, chamados de radiadores termais, que irradiam calor, permeando o escudo, fazendo com que as altas temperaturas não afetam os instrumentos mais sensíveis ao calor.

Se essas proteções funcionarem como esperado, as ferramentas e instrumentos presentes na sonda irão permanecer em temperatura ambiente, diz Christian. A espaçonave também será protegida da radiação, que poderia danificar os circuitos elétricos, especialmente a memória.

Inicialmente, a sonda não será tripulada. Mas dado suficiente tempo e dinheiro, cientistas da NASA poderm ser capazes de desenvolver uma espaçonave capaz de carregar um astronauta a essa distância do Sol, diz Christian. Entretanto, o custo da vida humana é grande, e esse é um risco que as missões não manejadas não correm.

Se tudo correr como planejado, o Solar Probe Plus será o objeto feito pelo homem a chegar mais perto do Sol. Até agora, a espaçonave que detém esse recorde é o Helios 1 (lançado em dezembro de 1974), que chegou a 47 milhões de quilômetros do Sol, e o Helios 2 (abril de 1976), que chegou a 44 milhões de quilômetros de distância.

Mais recentemente, o Messenger (lançado em agosto de 2004), explorou Mercúrio, que está localizado a 58 milhões de quilômetros do Sol.

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