Por que algumas músicas ficam presas na nossa cabeça?

Por Stephanie Pappas | LiveScience
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Alguns estudos já tentaram explicar por que isso acontece. Primeiro de tudo, algumas dessas músicas que ficam presas em nossas cabeças costumam compartilhar algumas semelhanças. Normalmente, são músicas que você já ouviu várias vezes. Ocasionalmente, possuem notas repetitivas ou intervalos inesperados. Elas possuem também ritmos distintivos.

“A conclusão geral é de que a música precisa ser simples para ser lembrada de forma espontânea, mas também precisa ter algo único para que o cérebro traga ela a tona repetidas vezes”, disse Kelly Jakubowski, pesquisadora de pós-doutorado no Departamento de Música da Universidade de Durham, no Reino Unido.

Em um estudo publicado em 2012 na ‘Psychology of Music”, foi constatado que cerca de 90% dos finlandeses usuários da Internet relataram ficar com uma música presa na cabeça pelo menos uma vez por semana. Quanto mais musical for a pessoa, mais músicas ficam presas, mostrou a pesquisa. Um relatório de 2006 detalhou o caso de um pianista que apresentava essa condição praticamente 24 horas por dia.

A maioria das pessoas pensa que normalmente são as músicas ruins que ficam mais tempo presas nas nossas cabeças. Entretanto, de acordo com Jakubowski, em entrevista ao LiveScience, os resultados da pesquisa mostram que apenas um terço das músicas que ficam presas são desagradáveis.

Uma pesquisa apresentada em 2012 na 12ª Conferência Internacional de Percepção e Cognição Musical, em Tessalônica, na Grécia, mostrou que músicas com notas mais longas, em intervalos menores, são mais “grudantes”. Já a pesquisa de Jakubowski não encontrou essa mesma relação, mas sugeriu que quanto mais fácil de cantar for a música, maior a possibilidade dela ficar presa na cabeça das pessoas. Essa pesquisa, baseada em estudos conduzidos entre 2010 e 2013, comparou as músicas “grudantes” com músicas populares que nunca foram citadas desta forma, com “Bad Romance”, “Alejandro” e “Poker Face” ficando no top 10 das músicas que mais ficam presas. Segundo Jakubowski e sua equipe, essas músicas possuem ‘tempos’ mais velozes, e também possuem padrões musicais comuns na música oriental.

Mas o que acontece em nosso cérebro quando não conseguimos parar de cantarolar uma música?

Os cientistas ainda não possuem uma reposta conclusiva para essa pergunta. Entretanto, um estudo de 2010 indica que esses episódios são mais comuns quando uma pessoa está realizando tarefas rotineiras. Outra pesquisa, de 2005, descobriu que o córtex auditivo, a parte do lobo temporal que processa o som, era involuntariamente ativado quando os participantes do estudo escutavam músicas familiares em que uma parte havia sido silenciada. Em outras palavras, o cérebro se obrigava a “completar” essa parte.

Outro estudo de 2010 identificou que quanto mais tempo as pessoas tentam se livrar de uma música presa na cabeça, mais tempo elas ficam por lá. Por isso, o melhor talvez seja cantarolar a música em questão até que ela desapareça da mesma forma que apareceu: involuntariamente.

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