Por que algumas pessoas obesas são ‘metabolicamente saudáveis’?

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Por Rachael Rettner | LiveScience
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

A obesidade, problema de saúde pública em vários países do mundo, está normalmente relacionada a uma série de outras doenças. Entre elas, o aumento na pressão sanguínea, diabetes e níveis elevados de colesterol. Mas algumas pessoas parecem driblar a regra, estando acima do peso, mas não apresentando nenhum fator de risco para diabetes ou problemas cardíacos.

Para entender esse grupo, pesquisadores analisaram informações de aproximadamente 1,3 milhão de adultos estadunidenses obesos ou acima do peso. Nesse universo de voluntários, ninguém havia sido diagnosticado com diabetes previamente. Todos foram analisados em relação aos fatores de risco para desenvolvimento de diabetes ou doenças cardíacas: alta pressão sanguínea; níveis elevados de gordura no sangue; níveis baixos de “colesterol bom” ou nível elevado de açúcar no sangue.

Entre os participantes obesos, 10% não possuía nenhum desses quatro fatores de risco. Ainda não está claro por que algumas pessoas obesas não apresentam esses problemas. Entretanto, mesmo esses indivíduos podem não estar completamente saudáveis, disse o pesquisador Gregory Nichols, envolvido no estudo. A obesidade também pode aumentar o risco de outras doenças, como o câncer, ou doenças no rim.

Climatologia Geográfica
Créditos: Pixabay

“Eles podem ser metabolicamente saudáveis, mas isso não quer dizer, necessariamente, que são saudáveis como um todo”, disse Nichols ao LiveScience. Além disso, ainda que os participantes fossem livres de fatores de risco no momento do estudo, eles poderiam desenvolver esses fatores nos próximos anos, disse o pesquisador. Estudos anteriores foram nesse caminho, dizendo que mesmo os “obesos metabolicamente saudáveis” possuem um risco maior de desenvolver diabetes do tipo 2, em comparação com as pessoas de peso normal. Por isso, o pesquisador aconselha que mesmo estando saudável, se uma pessoa é considerada obesa, ela deve tentar perder peso.

Para o estudo, os envolvidos analisaram registros de saúde de membros de quatro sistemas de saúde, que atingem 12 milhões de pessoas nos 11 estados dos EUA, mais Washington, D.C. Eles consideraram em sobrepeso aqueles que possuíam índice de massa corporal (IMC) entre 25 e 29,9. Já a obesidade era considerada a partir de IMC 30. A partir de IMC 40, o indivíduo era considerado com obesidade mórbida.

As descobertas mostraram que 18,6% das pessoas que estavam em sobrepeso não possuíam nenhum dos quatro fatores de risco metabólicos, e 9,6% dos obesos não os possuíam. Olhando para os obesos mórbidos, apenas 5,8% se encaixavam no grupo dos “saudáveis”. Além disso, ser “metabolicamente saudável” era mais comum entre os mais jovens – com 30% dos adultos entre 20 e 34 anos do estudo não apresentando nenhum dos fatores de risco, comparados com 6,3% dos idosos, entre 65 e 79 anos.

Agora, novos estudos devem ser realizados para acompanhar esses obesos metabolicamente saudáveis ao longo do tempo, para ver se continuam desta forma. Tais estudos poderiam determinar se esse “fenômeno” é algo real, ou apenas uma questão de tempo.

O estudo foi publicado no dia 9 de março no ‘Preventing Chronic Disease’.

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