Por que algumas pessoas sentem um odor estranho na urina após comer aspargos?

621

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Alguma vez na sua vida você já sentiu um cheiro estranho na sua urina depois de comer aspargos? Bem, saiba que você não é o único, mas nem por isso quer dizer que isso ocorre com todos que costumam comer aspargos. Na edição de natal do British Medical Journal, onde os cientistas são incentivados a realizar pesquisas e estudos sobre temas “estranhos” e aparentemente “pouco úteis”, um grupo de pesquisadores tomaram um pouco do seu tempo para determinar o que está por trás desse assunto envolvendo o aspargo e a urina.

Primeiramente, o culpado pela alteração no odor da sua urina após a ingestão de aspargos é o acido asparagúsico, que é quebrado pelo nosso corpo em compostos malcheirosos, ricos em enxofre. Ao contrário do ácido asparagúsico, os compostos digeridos são voláteis, o que significa que eles se transformam em vapor na temperatura ambiente. Nesse caso, o composto chega até seu nariz pouco depois de alcançar o vaso sanitário.

Climatologia Geográfica
Pexels

A maior parte das pesquisas sobre o tema mostram que todos os seres humanos produzem esses compostos depois de comer aspargos, o problema é que algumas pessoas não possuem os receptores corretos para captar esses odores. Isso quer dizer que para algumas pessoas, basta dar uma mera mordida em um aspargo para que o cheiro seja perceptível na urina. Para outras pessoas, no entanto, para que isso aconteça o aspargo deverá ter sido consumido em grandes quantidades.

No estudo publicado mais recentemente, pesquisadores liderados por Sarah Markt e Lorelei Mucci, na Escola T.H. Chan de Saúde Pública, na Universidade de Harvard, mergulharam fundo nesse mistério. Eles relataram que 40% das pessoas analisadas no estudo (2748 de 6909) percebiam um odor diferente na urina após comer aspargo, enquanto os 60% não eram capazes de sentir nenhum odor fora do normal.

As mulheres analisadas no estudo eram menos propensas a detectar esses odores que os homens, ainda que cientificamente já se saiba que em muitos casos as mulheres costumam perceber muito mais odores que os homens. Mas de acordo com os pesquisadores, isso pode ter acontecido pelo fato de algumas mulheres terem vergonha de admitir que estão sentindo um odor desagradável na urina.

Isso evidencia as limitações do estudo, mas se os relatos do participantes são verdadeiros, os pesquisadores podem ter algumas evidências sobre as origens genéticas envolvendo essas diferenças na percepção olfativa envolvendo o aspargo.

Os pesquisadores descobriram 871 polimorfismos de nucleotídeo único que pareceu estar relacionados com a capacidade de perceber o odor resultante da ingestão de aspargos na urina. Esses polimorfismos são os tipos mais comuns de variações genéticas presentes em seres humanos. Todos os polimorfismos de nucleotídeo único encontramos na urina são de genes associados com o olfato. Um dia, os autores do estudo sugerem que esses genes poderiam ser usados para criar terapias capazes de ajudar pessoas com dificuldades na percepção de certos odores a sentir aquilo que não estão conseguindo.

Talvez nós nunca saibamos exatamente que tipo de evolução nos levou a essa diferença nos odores que podemos perceber, mas a ciência está aí para investigar os mistérios da nossa existência – até os mais nojentos.

Fonte: Popular Science

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Comentários
Carregando...