Por que a obra de Bispo é tão significativa na vanguarda da arte contemporânea brasileira?

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Arthur Bispo do Rosário (Sergipe, 1909 – 1989) foi um importante artista plástico brasileiro. Sua história remete a uma vivência entre a realidade e o delírio psicológico – a vida e a arte.

Bispo nasceu de família pobre no interior do estado do Sergipe. Em 1925, com apenas 15 anos, ele iniciou carreira como sinaleiro-chefe, desempenhando essa função até 1933, com 23 anos.

Mais tarde, em 1937, ele conheceu o advogado Humberto Leoni, que foi responsável por defendê-lo numa causa trabalhista. Mas em 1938, acontece uma revira volta em sua vida.

No dia 22 de dezembro de 1938, com 29 anos, Bispo desperta com alucinações, acreditando ser um “enviado de Deus” que estaria responsável em “julgar os vivos e os mortos” e, então, ele inicia sua peregrinação na igreja de Candelária, no Rio de Janeiro.

Na véspera de Natal, no dia 24 de dezembro de 1938, Bispo acabou sendo parado pela polícia e enviado ao Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, sendo tratado como “negro, sem documentos, indigente”.

Semanas depois de sua internação, Bispo foi diagnosticado com esquizofrenia paranoica, o que levou mais tarde a ser transferido para a Colônia Juliano Moreira – um dos hospícios mais aterrorizantes de sua época.

No hospício, Bispo ganhou a confiança de alguns funcionários e quando os sinais de suas “transformações” apareciam, ele pedia a um enfermeiro que o trancafiasse para assim permanecer em isolamento.

Nos momentos de isolamento, Bispo acabou despertando um interesse pela arte. Na falta de material, ele usava fios do próprio uniforme, cobertores do hospício e até mesmo materiais oriundos do lixo e da sucata.

A importância da arte de Bispo pode ser encontrada a partir do aspecto histórico de sua época, pois os objetos que eram recolhidos para a realização de sua arte, herdavam características culturais de sua época. Era uma forma realista de registrar a vida cotidiana das pessoas como base na manifestação artística.

Bispo ficou conhecido também por driblar normas da instituição manicomial. Ele se recusava a receber tratamentos médicos e reutilizava subsídios da mesma para elaborar suas obras artísticas.

Bispo do Rosário morreu no dia 5 de julho de 1989, vítima de infarto. No dia 18 de outubro do mesmo ano, foi inaugurado a sua primeira mostra individual. Em 1995, suas obras representaram oficialmente o Brasil na prestigiosa Bienal de Veneza, na Itália, entrando como um dos grandes nomes da história da arte no mundo.

Referências

HIDALGO, Luciana. “As artes de Arthur Bispo do Rosário”. Scientific American. Setembro de 2009.

––––, “Bispo do Rosário”. Wikipédia. Acesso em 20 de fevereiro de 2015.

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