Por que seus filhos precisam de vacinas, mesmo que você não conheça alguém doente?

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Por Edward Bell, professor de práticas farmacêuticas na Universidade de Drake

 

Na virada do século 21, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças publicaram um artigo sobre as 10 maiores conquistas da saúde pública nos últimos 100 anos, de 1900 a 1999. Uma delas foi a vacinação, que provavelmente salvou milhões de vidas ao longo dos últimos 100 anos.
No entanto, em anos mais recentes, alguns pais de bebês e crianças questionaram a necessidade e a segurança das vacinas. A informação grosseiramente imprecisa que ligou erradamente a vacinação ao autismo era um fator chave. Essa afirmação foi agora completamente refutada por inúmeros estudos de alto nível, mas ainda há “ceticismo” sobre a vacinação.

Além da desinformação sobre a segurança, hoje a vacinação enfrenta questões de um novo rincão. Alguns pais começaram a questionar se as crianças ainda precisam de vacinação para doenças que muitos de nós nem sequer vemos.

Este raciocínio é impreciso e pode ser perigoso. Os agentes patogênicos virais e bacterianos que causam estas doenças ainda existem. Apenas uma doença – varíola – já foi eliminada da Terra.

Conclusão: Temos vacinas que impediram a morte de milhões de crianças. Por que há resistência à ela? Como professor de farmácia especializado em pediatria, vou tentar explicar.

Quando as coisas vão bem, nós esquecemos de quando elas eram ruins.

Ironicamente, as vacinas foram vítimas de seu próprio sucesso.

Quando foi a última vez que você conheceu ou ouviu falar de alguém com poliomielite? Difteria? Rubéola? Provavelmente, nunca. No entanto, as estatísticas indicam que no século XX, a cada ano nos Estados Unidos, mais de 16.000 pessoas contraíam pólio, mais de 21.000 difteria e mais de 47.000 contraíam rubéola.

Em 2015, foram notificados 0 casos de poliomielite (uma redução de 100%), 0 casos de difteria (outra redução de 100%) e 10 casos de rubéola (uma redução superior a 99%). Estas dramáticas diferenças são um testemunho da eficácia e importância das vacinas na melhoria da saúde pública.

Muitas das doenças listadas no calendário de imunização pediátrica de 2017 não foram tão dramaticamente reduzidas, no entanto. Em 2012, 48.277 casos de coqueluche foram relatados nos EUA, resultando em 20 mortes, com 18 dessas mortes ocorrendo em lactentes e crianças. Em 2014-2015, 855 casos de sarampo foram relatados.

Um declínio no número de casos de uma doença não significa que as doenças não existem, como mostrado pelo surto de sarampo e outros.

A desinformação usada como propaganda política
O que deve ser uma questão científica estabelecida – que as vacinas previnem a doença e que não causam autismo – ainda surge de vez em quando como uma questão controversa e emocional. Pessoas desinformadas são geralmente as que alimentam a confusão.
O presidente Trump afirmou repetidamente que ele acha que poderia haver uma ligação entre vacinas e autismo.

Trump tenha sido talvez o crítico mais feroz de vacinas, apresentando um estudo controverso que falsamente reivindicou uma ligação entre vacinas e autismo, que mais tarde foi refutado – em uma solenidade festiva. Esse autor, Andrew Wakefield, disse na noite do evento que uma “grande sacudida” é necessária nos centros para o controle e a prevenção de doença.

Wakefield, aliás, foi adicionalmente investigado por violações éticas e má conduta profissional, e desde então perdeu sua licença para praticar medicina no Reino Unido. Ele atualmente vive no Texas, e continua a promover a falsa premissa de que a vacina MMR provoca autismo.

Quando comecei minha carreira em 1989, o patógeno bacteriano Haemophilus influenzae tipo b (Hib) foi uma das causas mais comuns de meningite bacteriana em crianças de 5 anos ou menos. Lembro-me de crianças internadas com meningite no hospital pediátrico em que eu trabalhava.

Milhares de crianças nos Estados Unidos foram tratadas de forma semelhante para meningite resultante de Hib. Em 2015, apenas 29 casos de doença grave por Hib foram relatados em crianças de 5 anos ou menos. Vacinas eficazes para prevenir casos graves da Hib foram licenciadas para uso por volta do ano que eu comecei minha carreira. Elas agora são rotineiramente prescritas.

Um mal entendido à respeito do mercúrio contribuiu para a confusão

Outro bode expiatório para uma causa de autismo tem sido o timerosal, um agente conservante que tinha sido usado em algumas vacinas, mas nunca em vacinas MMR. Timerosal contém etilmercúrio e difere quimicamente do metilmercúrio, a forma de mercúrio comumente encontrado no ambiente, incluindo alguns peixes.

Embora o mercúrio possa ser perigoso para os seres humanos em quantidades elevadas, o etilmercúrio difere, pois é eliminado do corpo mais rapidamente do que o metilmercúrio.

Embora alguns tenham sugerido que o timerosal foi uma causa de autismo, uma revisão de 2013 da literatura científica demonstrou que isso não é verdade. Mesmo assim, as empresas farmacêuticas removeram o timerosal da maioria das vacinas pediátricas em 2001, e este permanece em apenas algumas vacinas contra a gripe de doses múltiplas.

A segurança da vacina é cuidadosamente estudada

As vacinas, similares a outros produtos farmacêuticos, são avaliadas quanto à segurança e eficácia ao longo de muitos anos, antes do seu uso público conforme permitido pela Food and Drug Administration (FDA).

Devido à sua importância terapêutica para a prevenção de doenças, as vacinas são adicionalmente avaliadas para a segurança após a FDA conceder sua aprovação para uso público. Vários sistemas de monitoramento controlam cuidadosamente a segurança das vacinas, incluindo o Sistema de Notificação de Eventos Adversos para Vacinas, o Seguro de Vacinas e o Sistema de Monitoramento de Segurança de Imunização Rápida Pós-Licença. Esses programas ajudam a garantir que as vacinas permaneçam seguras, uma vez que tenham sido disponibilizadas para uso público.

Devido à importância das vacinas na prevenção de muitas doenças infecciosas graves, a comunidade médica tem cuidadosamente revisto a ciência das vacinas e seus potenciais efeitos adversos. As vacinas, como qualquer medicamento farmacêutico, têm riscos – um potencial para resultar em efeitos adversos, como um braço ou uma perna dolorida. A maioria destes efeitos adversos não são graves. Os benefícios das vacinas – a prevenção de doenças infecciosas fatais – superam largamente os seus riscos para a grande maioria dos bebês e crianças.

Como pai, se você tem preocupações sobre dar uma vacina ao seu filho, converse com o pediatra ou médico de confiança da sua família. Faça perguntas específicas e expresse suas preocupações. Boas páginas da internet, com informações precisas e fáceis de ler são boas fontes de informação adicionais; O site da Academia Americana de Pediatria; E a Coalizão de Ação de Imunização. Profissionais de saúde pediátrica, como eu, desejamos que os bebês e crianças sejam tão saudáveis quanto possível. Isso inclui seus filhos. As vacinas são um meio seguro e eficaz para realizar isso.

 

Originalmente em The Conversation

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