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Praias no Japão estão repletas de restos derretidos de Hiroshima

Shutterstock

Algumas praias ao redor de Hiroshima, no Japão, estão cheias de formas estranhas de vidro feitas dos restos condensados da cidade destruída durante o bombardeio atômico, quando a ‘Little Boy’ foi lançado pela Força Aérea dos EUA e detonou com a força equivalente a 15 quilotons de TNT. A explosão destruiu 70% da cidade em uma piscar de olhos, 70.000 pessoas morreram na hora e estima-se que pelo menos 200.000 pessoas tenham morrido nos anos seguintes devido à radiação.

A bomba atômica causou tal destruição que restos mortais foram jogados em uma nuvem superaquecida que depois choveu a matéria condensada na península, onde esfriou e permanece até hoje.

Anthropocene

Estes detritos – chamadas de Motoujina Fallout Debris (MFD) – foram apelidados de “Hiroshimaitas”.

Um artigo científico explica como o geólogo e ecologista marinho Mario Wannier encontrou os chamados Hiroshimaitas espalhados pelas praias ao redor da cidade destruída.

Ao vasculhar as areias da Baía de Hiroshima e da Ilha de Miyajima, Wannier notou as manchas vítreas e iniciou uma jornada para descobrir exatamente como elas eram criadas. Mais de 10.000 amostras de areia foram coletadas e enviadas para pesquisadores do Berkeley Lab e do UC Berkeley para análise via microscopia eletrônica e análise de raios-X. Com isso, descobriram que os esferóides e outras partículas incomuns respondiam por até 2,5% de todos os grãos de areia das praias.

Para Wannier, essas pequenas estruturas foram um lembrete de outras amostras de sedimento que ele próprio tinha estudado como sendo do limite do período Cretáceo-Paleogeno, mais conhecido como aquele tempo em que um asteróide eliminou os dinossauros 66 milhões de anos atrás.

Seja lá o que tenha criado as estruturas, liberou uma quantidade surreal de energia – e energia igual a essa só foi encontrada a apenas alguns quilômetros do epicentro das explosões nucleares ocorridas há apenas 74 anos: a explosão da Little Boy.

“Este foi o pior evento criado pelo homem, de longe”, disse Wannier em um comunicado. “Na surpresa de encontrar essas partículas, a grande questão para mim era: você tem uma cidade e, um minuto depois, não tem cidade. Havia a questão de: “Onde está a cidade – onde está o material?” É um tesouro ter descoberto essas partículas. É uma história incrível”.

As estruturas continham uma série de elementos e produtos químicos incomuns em tais formações, como alumínio, silício, aço e ferro.

“Alguns deles parecem semelhantes ao que temos dos impactos de meteoritos, mas a composição é bem diferente”, explicou o co-autor Rudy Wenk, professor de mineralogia da UC Berkeley. “Havia formas bastante incomuns. Havia ferro puro e aço. Algumas delas tinham a composição de materiais de construção.” [Anthropocene]

 

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