Projeto de 2,4 bilhões de dólares da NASA pretende ‘roubar’ rochas de Marte

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Originalmente por Alexandra Witze | Nature
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

O mesmo engenheiro por trás da sonda Curiosity, da NASA, está envolvido em um dos novos planos da agência estadunidense: roubar pedras de Marte.

Isso mesmo. Steltzner e sua equipe estão trabalhando para lançar, em 2020, um veículo de uma tonelada, com seis rodas, que sairá da Florida carregando 43 tubos em uma aventura que terá duração de 7 meses, até o Planeta Vermelho. Quando concluir a viagem e tocar o solo de Marte, a sonda deverá encher esses tubos com rochas, detritos e ar. Os tubos então serão selados e posicionados no solo. Lá, vão esperar por anos, talvez décadas, até que outra espaçonave seja capaz de ir até Marte buscar o material e trazê-lo para a Terra.

Uma das grandes dificuldades desse projeto é fazer com que os tubos equipados na sonda sejam extremamente limpos e esterilizados, para evitar que bactérias e poluentes da Terra confundam os cientistas quando forem analisar os detritos e rochas de Marte.

Para um trabalho tão delicado, a NASA não está economizando. O programa de exploração não deverá sair por menos de $ 2,4 bilhões. Os cientistas agora seguem discutindo os detalhes específicos do projeto, desde o que será feito para resfriar os tubos na superfície de Marte, até a rotina detalhada da sonda no Planeta Vermelho. De acordo com os cientistas, a ideia principal deste novo projeto da agência estadunidense é analisar a história do solo de Marte.

Confira, em inglês, um infográfico detalhando a sonda:

Mars Landscape, NASA/JPL-CALTECH/ Cornell Univ./Arizona State Univ.; Rover, NASA/JPL Expand

A NASA já enviou uma série de sondas com sucesso para Marte, como o Pathfinder, em 1996; Spirit e Opportunity, em 2003; e a gigantesca Curiosity, de 900kg, em 2012. Agora, o novo projeto da agência poderá reutilizar partes de outras sondas. De acordo com a NASA, cerca de 85% da nova sonda será feita a partir de peças reaproveitadas de outros projetos.

O interessante é que essas peças reaproveitadas farão ciência: serão responsáveis pelas medições em Marte, e também irão coletar e armazenar os exemplares de rochas. Entre eles destaca-se uma câmera panorâmica no topo da sonda, instrumentos de laser e um braço mecânico. Tudo isso em uma tentativa de obter o máximo de informações possíveis sobre o solo do Planeta Vermelho.

Caça ao tesouro

Para ter sucesso nessa missão de coletar exemplares do solo de Marte, Steltzner e sua equipe não vão medir esforços para produzir uma sonda com o sistema de coleta mais funcional possível. O sistema, segundo a equipe, funcionará da seguinte forma: A sonda irá agarrar a rocha, então fará perfurações e coletará um exemplar de 15g. Em seguida irá selar hermeticamente o tubo e guardá-la no interior do corpo da sonda. Tudo isso dentro de uma hora.

A sonda irá carregar suprimentos suficientes para encher pelo menos 31 tubos, cada uma com aproximadamente 14cm de comprimento e 2cm de diâmetro. Nem todos os tubos receberão detritos e rochas do solo marciano. Alguns serão preenchidos com materiais como malha de alumínio e cerâmicas, para prender contaminantes. Durante o percurso até Marte, um dos tubos será deixado aberto, para capturar qualquer partícula que possa vaporizar por parte da espaçonave. Esse tubo será selado logo que a sonda chegar em Marte.

Climatologia Geográfica

Mesmo com todos os cuidados que serão tomados pela NASA, é inevitável que as rochas sejam contaminadas com outras partículas. Os cientistas já esperam, por exemplo, que o material recolhido mostre traços de tungstênio – causados pelo contato com a broca equipada na sonda. Por causa disso, os cientistas não poderão analisar a idade das rochas utilizando técnicas radioativas baseadas no tungstênio e háfnio. Também existe uma preocupação com a temperatura em que os tubos serão armazenados, já que uma temperatura superior a 60ºC poderia prejudicar os exemplares e fazer com que alguns componentes fossem afetados e até mesmo ficassem completamente comprometidos.

Os cientistas também despendem sua atenção para pensar sobre o local adequado para a descida da sonda da NASA em território marciano. O tipo de resultado que a missão terá, depende justamente de onde a sonda irá aterrissar.

Aos aficionados pela tecnologia e ciência, resta esperar mais três anos para ver o desdobramento da missão. Agora, para ver de fato os resultados dela, o tempo de espera será ainda maior, já que a agência americana sequer tem ideia de quando será lançada uma segunda missão para resgatar os exemplares recolhidos.

 

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