Psicanálise não é a mesma coisa que psicologia

Na imagem, Sigmund Freud.
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A psicanálise não deve ser confundida com a psicologia e nem com a psiquiatria. A psicanálise pretende ser uma teoria e uma técnica terapêutica. Como teoria seria aceitável se mostrada que é suficientemente verdadeira; como técnica, se mostrada que é suficientemente eficaz. Mas para sustentar a pretensão de verdade ou eficiência, um corpo de ideias e práticas deve apresentar o mesmo parâmetro com os cânones do desenvolvimento da ciência pura e aplicada, pelo menos se você quiser ser absorvido por uma ciência. Agora, a psicanálise falha ao tentar passar nos testes de cientificidade.

1. As teses da psicanálise estão além da psicologia, antropologia e biologia, e frequentemente são incompatíveis com elas. Por exemplo, a psicanálise é estranha à teoria da aprendizagem, o capítulo mais avançado da psicologia. A hipótese de memória racial inconsciente não tem apoio algum em genética; a afirmação de que a agressividade é instintiva e universal se contradiz com a antropologia e a etnologia; a hipótese de que todo homem carrega um complexo de Édipo está em contradição com os dados da antropologia. Isso não seria grave se fossem pontos secundários da doutrina; mas são pontos importantes e, especialmente, a psicanálise não pode recorrer à ciência para eliminar essas partes de sua doutrina, porque ela se apresenta como uma ciência rival e independente.

2. Algumas hipóteses psicanalíticas são intestáveis; por exemplo, as da sexualidade infantil, da existência de entidades desencarnadas dentro da personalidade (o id, o ego, o superego), e o do sono como significativo de voltar para o útero materno.

3. As teses psicanalíticas que são testáveis têm sido ilustradas, mas nunca foram realmente testadas por psicanalistas com a ajuda dos fluxos de verificação técnica; em particular, a estatística não desempenha papel algum na psicanálise. E quando os psicólogos científicos submeteram essas teses à verificação, o resultado se mostrou um fracasso. Exemplos: a) A conjectura de que todo sonho é a satisfação de um desejo tem sido contrastada perguntando para indivíduos com necessidades urgentes e objetivamente conhecidas, como sede, o conteúdo dos sonhos; resultado: é muito escassa a correlação entre necessidades e sonhos. b) Segundo a hipótese da catarse, a contemplação de filmes que expõem comportamentos violentos deveria ter como resultado uma descarga de agressividade; a experimentação científica tem mostrado um resultado contrário (R. H. Walters e outros cientistas, 1962). c) Muitos estudos sistemáticos e persistentes (W. H. Sewell, 1952, e M. A. Strauss, 1957) têm destruído a tese psicanalítica de que existe uma correlação significativa entre hábitos alimentares precoces e excreção, por um lado, e traços de personalidade por outro. d) Na formação de um grupo para estimar a influência terapêutica psicanalítica na neurose, não foi encontrada influência favorável alguma, porque a taxa de cura foi ligeiramente inferior à taxa de curas espontâneas (resultados de H. H. W. Miles e outros experimentais, 1951, de H. J. Eysenck, 1952, e de E. E. Levitt, 1957); por outro lado, a técnica científica de recondicionamento tem obtido êxito na maioria dos casos (J. Wolpe, 1958).

4. Embora algumas conjecturas psicanalíticas tenham sido, isoladamente, contrastadas, e foram, como acabamos de ver, no entanto, não são tomadas como contrastadas como um corpo inteiro. Por exemplo: se a análise do conteúdo de um sonho não mostrar que esse sonho é uma satisfação imaginária de um desejo, o psicanalista afirmará que isso é só prova de que o sujeito tem reprimido energicamente o seu desejo, a qual está, portanto, além do controle do terapeuta; analogamente, a uma pessoa que não apresentar o complexo de Édipo, o psicanalista dirá que ele está muito reprimido, talvez por temer a castração. E dessa maneira, diversas teses, diversos membros desse empreendimento, protegem uns aos outros, e a doutrina como um todo é inatacável pela experiência.

5. A psicanálise, além de eliminar por absorção indiscriminada toda evidência que normalmente (na ciência) seria considerada desfavorável, resiste à crítica. E faz essa eliminação mediante o argumento ad hominem, segundo o qual o crítico está manifestando o fenômeno da resistência, e confirmando assim a hipótese psicanalítica sobre esse fenômeno. Ora bem: se nem a argumentação, nem a experiência pode rachar com uma doutrina, então essa doutrina é um dogma, e não uma ciência. As teorias científicas, longe de serem perfeitas, são, ou quando falhas são esquecidas, ou quando bem construídas são perfectíveis e, portanto, são corrigíveis ao longo do tempo.

Fonte

BUNGE, Mario; La Investigácion Científica: Su Estrategia y Su Filosofía. 2000

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OLIVEIRA, D. R. A.; Psicanálise, uma pseudociência escondida à vista de todos. 2015.

OLIVEIRA, D. R. A.; Psicanálise não é ciência e merece ser criticada (Tradução). 2015.

OLIVEIRA, D. R. A.; Psicanálise é ilegal, é ineficaz e é antiética (Tradução). 2014.

LUZARDO, André; O Atraso das Ciências Humanas no Brasil.  2011.

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