Punições físicas não geram benefícios para crianças, dizem pesquisadoras

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As famosas palmadas, utilizadas por muitos pais durante a educação de seus filhos, são comuns em várias famílias ao redor do mundo. Mesmo com a popularidade, e apesar de terem sido consideradas “normais” durante muito tempo, elas já foram proibidas legalmente em 53 países.

As punições físicas aplicadas a crianças são protagonistas de uma forte discussão em todo o planeta nas últimas décadas. Enquanto alguns defendem que bater nos próprios filhos (com o intuito de educar) pode servir como forma de transmitir valores e respeito às crianças, outros dizem que isso pode ser perigoso e prejudicial para os pequenos.

Em uma publicação do The Conversation, as pesquisadoras Tracie O. Afifi (professora associada da Universidade de Manitoba) e Elisa Romano (professora de psicologia clínica na Universidade de Ottawa) questionaram alguns pontos sobre a prática.

De acordo com as pesquisadoras, estudos apontam que a prática da punição física está relacionada com uma maior probabilidade das crianças desenvolverem problemas de ordem social e de saúde, como uso de drogas, tentativas de suicídio e problemas cognitivos. Além disso, elas afirmam que não existe nenhum estudo que aponte qualquer benefício que possa ser obtido a partir das palmadas. Do contrário, algumas pesquisas apontam evidências de que o hábito de sofrer agressões “educativas” pode ser perigoso para as crianças.

“Os que dizem que as palmadas são seguras para uma criança se praticadas de uma maneira específica estão, ao que parece, apenas expressando uma opinião. E essas opiniões não estão baseadas em evidências científicas”, escreveram as autoras no The Conversation.

Um dos estudos citados pelas pesquisadoras foi feito em 2002. Na ocasião, os autores revisaram e analisaram 88 estudos publicados durante 62 anos, e descobriram que a punição física pode ser relacionada com o abuso físico, delinquência e comportamentos antissociais. Em uma análise mais recente, realizada em 2016, também ficou constatado que não existem evidências de que as palmadas podem beneficiar o comportamento das crianças. Esse estudo, do ano passado, analisou 75 pesquisas dos últimos 13 anos.

Apesar de apresentar fatos que mostram o lado negativo das palmadas, as pesquisadoras defendem que as pessoas que criaram seus filhos há alguns anos atrás não devem ser considerados “maus pais”.

“Nós agora temos dados que mostram claramente que as palmadas não são seguras, nem efetivas. Isso não faz dos pais que utilizaram essa técnica “maus”, no entanto. No passado nós simplesmente não sabíamos dos riscos”, defendem.

As autoras do texto citam que o reconhecimento dos direitos à proteção e à dignidade das crianças já foram inclusive inscritas na Convenção sobre os Direitos da Criança, das Nações Unidas. Além disso, e eliminação da violência também foi incluída nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

“Isso tudo nos mostra que as palmadas não devem nunca ser utilizadas em crianças ou adolescentes de qualquer idade”, afirmam as autoras, que defendem a utilização de técnicas não violentas de educação, e os programas que visem a ajudar as famílias a lidar com seus filhos e os problemas que eles venham a causar.

O texto citado aqui foi publicado originalmente no The Conversation, e é de autoria de Tracie O. Afifi e Elisa Romano.

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