Raríssima criatura marinha é encontrada pela primeira vez em mais de um século

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Um animal misterioso e raro foi encontrado pela primeira vez depois de mais de um século que foi descrita pela primeira vez. Trata-se de um animal marinho, semelhante a uma bolha. O Bathochordaeus charon, como é cientificamente conhecido, é um invertebrado translúcido, que foi identificado recentemente na costa de Monterey, na Califórnia, por cientistas utilizando um veículo submarino remotamente controlado (ROV – da sigla em inglês remotely operated vehicle). Ainda que o B. charon tenha sido descoberta há um século, ninguém havia confirmado sua existência durante todos esses anos, até o cientista Rob Sherlock o fizesse. Sherlock trabalha no Instituto de Pesquisa do Aquário de Monterey Bay.

O B. charon pertence a um grupo de criaturas marinhas chamado larvacea, que inclui criaturas extremamente pequenas, algumas com apenas um centímetro de comprimento, com uma “cabeça” (que na verdade é um tronco) larga e uma fina cauda, explicou Sherlock ao ‘LiveScience’.

Ainda que o oceano esteja repleto de membros do grupo larvacea, os considerados “maiores”, que chegam a até 10cm de comprimento, são menos comuns. Para comer, essas criaturas filtram a comida através de suas “casas”, atraindo o alimento através da agitação da água provocada pelo balançar de sua cauda. As partículas grandes de alimento ficam presas e formam um pó fino, enquanto as partículas menores passam, concentrando-se e atravessando um tubo de alimentação que vai até a “boca” do animaL.

Se algum animal maior, como um peixe, bater na casa da criatura, ou se partículas muito grandes entupirem a entrada, eles precisam construir outra casa – sem elas, não conseguem comer.

Descoberta

O primeiro relato da existência do B. charon se deu em 1899, quando o professor Carl Chun, da Universidade de Leipzig encontrou um espécime da criatura no Oceano Atlântico, enquanto liderava a Expedição Valdivia, uma missão alemã que visava a explorar as profundezas do oceano. Chun acreditava que a criatura vivia na mais profunda das áreas oceânicas, e por isso deu a ela o nome de Charon, que na mitologia grega realizava a travessia das almas dos mortos através do rio Styx.

Nas décadas seguintes, varios outros estudiosos e pesquisadores relataram avistar animais semelhantes, porém maiores, e poucos foram capturados para posterior análise. Em 1936, por exemplo, o biólogo marinho Walter Garstang, do Reino Unido, coletou uma série de espécies dos larvacea, porém todos diferentes daquele descrito por Chun.

Como os espécimes descritos por Chun não haviam nunca mais sido encontrados, os cientistas eventualmente passaram a acreditar que Chun havia originalmente descrito um animal idêntico ao B. stygius. Inclusive, um especialista chegou a sugerir que os dois nomes fossem fundidos.

Sherlock e seus colegas chegaram até a espécie quando o ROV da equipe, chamado Dock Ricketts estava explorando as águas de Monterey Bay. Logo que a criatura foi avistada, ela foi coletada com cuidado, para que não sofresse nenhum dano.

“A partir do momento em que o veículo foi recuperado, cerca de 10 minutos depois, o animal estava vivo, em forma perfeita, e nós preservamos assim para mandá-lo ao Smithsonian”, disse Sherlock. “Não tínhamos nem ideia do que era, até olharmos mais de perto, quando finalmente percebemos que se tratava de um B. charon – a espécie descrita há mais um século”, disse. Análises físicas e genéticas confirmaram a descoberta, disse Sherlock.

Quando a equipe analisou vídeos de Monterey Bay dos últimos 25 anos, os cientistas perceberam que o animal foi filmado várias vezes por lá.

Originalmente por Tia Ghose | LiveScience

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