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Rato-bomba: a arma “mais letal” empregada na Segunda Guerra Mundial

Em 1941, a Alemanha já havia subjugado metade da Europa, a Luftwaffe estava lançando bombas nas cidades da Grã-Bretanha, e U-boats infligiam terríveis perdas ao longo das rotas marítimas aliadas. A Grã-Bretanha precisava de uma nova arma, uma maneira de impedir os alemães cada vez mais ameaçadores de qualquer maneira possível. Gatos-bomba tinham falhado. Morcegos-bomba ainda não tinham sido sequer imaginado. Que outra maravilhosa arma poderia retardar a investida alemã?

Sob a liderança de Charles Fraser Smith – um homem frequentemente citado como a inspiração para a criação de James Bond por Ian Fleming – a Q-SOE tinha uma seção conhecida como Secção XV, cujo trabalho era criar ferramentas especiais para o trabalho ultra secreto. Em um momento de surpreendente originalidade, a equipe propôs um novo gadget de indução de caos: o rato-bomba.

Os mecanismos eram tão simples quanto o conceito era bizarro, e eis um resumo do projeto:

Um rato tem sua pele aberta, sendo costurada e preenchida com PE (um tipo de preenchimento para simular as vísceras) para assumir a forma de um rato morto. Um Standard No.6 Primer é ajustado no PE. A iniciação é por meio de um cabo curto de fusível de segurança com um detonador No.27 cravado em uma extremidade e um dispositivo de ignição de tubo de cobre na outra extremidade. O rato é então deixado entre o carvão ao lado de uma caldeira e as chamas acionam o fusível de segurança quando o rato é atirado no fogo, ou, como no caso do fusível de Pencil Time, um temporizador é usado.

Assim, a carcaça de um rato é recheada com explosivos plásticos e depositada dentro do suprimento de carvão alemão, na esperança de que os ratos fossem puxados para caldeiras junto com o carvão, onde o calor intenso acionaria o fusível e detonaria os explosivos. A infraestrutura alemã seria totalmente desmantelada, as bases militares seriam paralisadas e as máquinas a vapor seriam destruídas. Os suprimentos ficariam escassos, o pânico se espalharia e a Grã-Bretanha ganharia a guerra. Ou pelo menos, era esse o objetivo.

Na realidade, as coisas não deram muito certo para a missão dos ratos-bomba. O primeiro lote de ratos explosivos foi apreendido pelos alemães no que deve ter sido uma das descobertas mais estranhas que um exército já fez. O segredo foi descoberto e a missão falhou – embora isso não tenha impedido os alemães de organizarem buscas em massa entre as pilhas de carvão por quaisquer corpos de ratos rígidos e de formato estranho.

Os alemães ficaram fascinados com a ideia desses dispositivos, e os ratos desativados foram exibidos em escolas militares em todo o país. Quem sabe os efeitos devastadores que esses roedores explosivos teriam tido na máquina de guerra alemã se eles tivessem passado despercebidos pelas escutas da Alemanha? Em vez disso, como gatos e morcegos, os ratos-bomba nunca tiveram a chance de realizarem todo o seu potencial, e deviam ser confinados a lições de história e livros sobre armas incomuns.

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