Razões pelas quais alimentos geneticamente modificados são seguros à alimentação e ao meio ambiente

“A ciência ainda não foi feita”

– Charles Benbrook, pesquisador de produtos orgânicos, Universidade de Washington.

“Não há nenhuma evidência credível de que os alimentos geneticamente modificados são seguros à alimentação”

– David Schubert, Instituto de Estudos Biológicos Salk.

“A investigação dos transgênicos é escassa… Se eles estão nos matando vagarosamente – contribuindo com distúrbios crônicos a longo-prazo – ainda é um enigma”

– Tom Philpott, Mother Jones.

“Alimentos geneticamente modificados deveriam ser uma preocupação para aqueles que sofrem de alergias, por não serem testados…”

 – Associação de Produtos Orgânicos

A alegação de que as culturas modificadas geneticamente são desconhecidas – o que foi representado nas citações acima – se tornou comum em meio a opositores à biotecnologia agrícola, especialmente por jornalistas ativistas. Campanhas anti-OGM (Organismos geneticamente modificados), com o apoio dos que preferem os alimentos orgânicos, insistem que tais não foram seguramente testados ou que as pesquisas feitas para analisar os impactos na saúde e no meio ambiente foram “todos” feitos pelas próprias companhias produtoras. Ainda, eles clamam, os consumidores estão dando um “salto de fé” ao concluir que não enfrentam nenhum problema por consumir produtos com ingredientes geneticamente modificados.

Isso é falso!

Todo grande corpo internacional de ciência do mundo já fez a revisão de múltiplos estudos independentes – em muitos casos, chegando a centenas – e chegou à conclusão consensual que os OGMs são tão ou mais seguros que os alimentos orgânicos ou convencionais. Em contrapartida, até agora, a magnitude das pesquisas na biotecnologia agrícola não foi catalogada. Ainda, em resposta ao que eles acreditavam ser uma lacuna de informação, cientistas italianos reuniram 1.783 estudos sobre os impactos ambientais dos OGMs.

Os pesquisadores não puderam encontrar nenhum simples exemplo digno de ser creditado de que os alimentos geneticamente modificados possam danificar o homem ou os animais. “A pesquisa científica, conduzida a tão longe, não detectou nenhum distúrbio conectado diretamente com o uso de produtos alterados”, concluíram os cientistas.

A revisão da pesquisa, publicada na revista Critical Reviews in Biotechnology (fator de impacto 7,873) em Setembro, apenas analisou estudos de 2002 a 2012, o que representa apenas 1/3 dos que foram feitos na área. [Vale salientar que este artigo foi publicado em 2013, o que significa que, certamente, mais uma imensa quantidade de estudos tenham sido publicados]

“Nosso alvo era criar um documento único em que pessoas interessadas de todos os níveis de conhecimento pudesse ter uma visão geral sobre o que foi feito pelos cientistas na garantia da segurança dos alimentos geneticamente modificados”, diz o líder da pesquisa Alessandro Nicolia, estudante de biologia aplicada na Universidade de Perúgia. “Nós tentamos dar uma visão balanceada informando sobre o que foi debatido, as conclusões chegadas e as questões emergentes”

As conclusões também foram surpreendentes porque os governos europeus, e italiano em particular, não têm sido tão abrangentes quanto aos OGMs tal como as Américas, embora o consenso entre os cientistas da Europa seja, em geral, positivo.

A revisão dos italianos não apenas compilou pesquisas independentes dos OGMs em uma década, mas também resumiu os achados em diferentes categorias da pesquisa dos geneticamente modificados: literatura geral, impacto ambiente, segurança de consumo e rastreabilidade.

A literatura geral categoriza os estudos que largamente revelam a diferença das culturas de OGMs nos Estados Unidos, na Europa e em outros países. Devido à falta de práticas reguladas uniformemente e ao aumento de retóricas não-científicas, Nicolia e seus colegas relatam, a preocupação com os produtos alterados geneticamente tem sido altamente exagerada.

Os estudos do impacto ambiental são predominantes no corpo de pesquisa dos OMGs, ocupando 68% de todos os 1.783. Tais estudos investigaram os impactos a níveis de cultura, fazenda ou paisagem. Nicolia e sua equipe não encontraram “nenhuma mísera evidência” de que as culturas causaram danos ao meio ambiente em seus arredores.

Apesar de constituir uma porcentagem pequena, uma área crescente de pesquisa está relacionada ao fluxo gênico, no potencial que tais culturas de OGMs tenham em contaminar organismos próximos. Nicolia e seu time relatam que isso jamais foi observado e os cientistas têm estudado maneiras de reduzir esse risco com estratégias diferentes, tais como promover culturas em distâncias isoladas e práticas de pós-colheita. A revisão nota que o fluxo gênico não é único à tecnologia transgênica, sendo comumente visto em plantas selvagens. Enquanto o fluxo possa certamente beneficiar, os cientistas sugerem, a aversão pública aos testes em campo desencoraja muitos cientistas, principalmente na Europa.

Na categoria da segurança de alimentação, os pesquisadores não acharam nenhuma evidências que culpem os OGMs de possuírem produtos alérgicos ou toxinas únicas em seu conteúdo. Todas as culturas de OGM são testadas diante de um banco de dados com todas as alergias antes de serem comercializados.

Nicolia e sua equipe também adicionam a segurança do RNA transcrito pelo DNA transgênico. Os cientistas estão querendo alterar a “ordem natural da vida”? na verdade, os homens consomem entre 0,1 e 1 grama de DNA por dia, de ingredientes geneticamente modificados ou não. O DNA é geralmente degradado pelo processamento do alimento e qualquer DNA “sobrevivente” é subsequentemente degradado pelo sistema digestivo. Nenhuma evidência foi achada de que o DNA absorvido poderia ser integrado ás células humanas – argumento comum aos críticos dos transgênicos.

Esses 1.783 estudos são esperados para serem inseridos no banco de dados público conhecido como GENERA. Oficialmente lançado em 2012, o banco inclui artigos revisados por pares em diferentes aspectos da pesquisa de transgênicos, incluindo bases genéticas, estudos alimentícios e impactos ambientais e nutricionais.

Em resumo, alimentos geneticamente modificados estão entre os assuntos mais extensivamente estudados na ciência. No ano de 2013, celebrou-se o trigésimo aniversário da tecnologia transgênica e o paper publicado pelos italianos foi o presente para a continuação de tal método: não há nenhuma evidência credível de que os Organismos Geneticamente Modificados causem danos ao meio ambiente ou à saúde pública.

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