Resistência aos antibióticos pode ser a principal causa de morte para 2050

Créditos: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID).
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Não será por uma arma secreta e nem por um super homem de músculos aumentados, capa bamboleante e um grande “S” estampado em seu peito… Em A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, os marcianos são derrotados pelos verdadeiros governantes da Terra: as bactérias, que os invasores em suas gigantescas máquinas não contavam com as suas resistências internas. A quase 120 anos da publicação daquela joia da ficção científica, muitos pesquisadores têm advertido que um cenário parecido pode acontecer, mas longe da ficção e da fantasia; desta vez, os seres humanos poderão ser as vítimas.

Nos últimos anos, esses organismos se adaptaram e desenvolveram a uma grande velocidade a capacidade de suportar os efeitos de nossas melhores armas contra eles: os antibióticos, substâncias químicas que desde a descoberta da penicilina em 1928 têm salvado a vida de milhões de seres humanos e têm permitido estender 20 anos de esperança na vida das pessoas.

Em 2013, a nível global, ocorreu 700.000 mortes atribuídas à resistência antibiótica, segundo a Revisão sobre a Resistência Antimicrobiana (AMR, em inglês). “Para 2050, esperam-se que 10 milhões de mortes atribuídas à resistência de antibióticos. Será a principal causa de morte. Superará o câncer. Morrerá uma pessoa a cada três segundos por resistência aos antibióticos”, adverte Fernando Pasteran, pesquisador em resistência antimicrobiana também do ANLIS, o laboratório de referência regional da saúde na Argentina.

A Argentina é o único país da América Latina que realizou um estudo sobre a resistência aos antimicrobianos e que conta com um plano de ação através da regulação e fiscalização da comercialização de antimicrobianos e do controle de infecções em estabelecimentos agropecuários. Desde 1986, sabe-se a taxa de resistência antimicrobiana no país. Atualmente, nove a cada 10.000 habitantes adquirem superbactérias que resistem aos antibióticos mais potentes disponíveis. Em Buenos Aires, a taxa é mais alta: 40 por cada 10.000 habitantes.

Segundo esse estudo, desde o ano de 2000, aumentou na Argentina a resistência da bactéria Staphylococcus aureus – uma bactéria que só era encontrada em hospitais. Agora, está em toda a comunidade. Em muitos casos, isso acontece porque os hospitais despejam milhões de germes na água. Não é um problema exclusivo da Argentina, no Rio de Janeiro, Brasil, por exemplo, foram detectados cepas de bactérias resistentes aos antibióticos na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde aconteceu as provas de remo nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

O grande problema é que as bactérias evoluem mais rapidamente a sua resistência do que o desenvolvimento de novos antimicrobianos. No ano passado, foi anunciado a descoberta de um novo antibiótico, a teixobactina, o primeiro nos últimos 30 anos e que ainda está em testes clínicos.

Com bactérias cada vez mais resistentes, muitas práticas médicas cotidianas, como os transplantes sensíveis às rejeições terão que ser abandonados. “Estamos entrando na era pós-antibiótica. Cada vez é mais difícil tratar infecções bacterianas. É inevitável o aparecimento da resistência de bactérias. Só podemos frear um pouco essa evolução tomando consciência do problema e incrementando a vigilância”, diz Alejandra Corso.

FONTE

Federico Kukso. Para 2050 la resistencia a los antibióticos será la principal causa de muerte. Scientific American. <http://www.scientificamerican.com/espanol/noticias/para-2050-la-resistencia-a-los-antibioticos-sera-la-principal-causa-de-muerte/>

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