Sexta base nitrogenada é descoberta?

Créditos: © abhijith3747 / Fotolia
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O DNA (ácido desoxirribonucleico) é o principal componente do nosso material genético. Ele é formado por quatro partes: A,C,G e T (Adenina, Citosina, Guanina e Timina), chamadas de bases nitrogenadas e que se arranjam em milhares de sequências possíveis para prover a variabilidade genética que determina os aspectos e as funções das células dos seres vivos.

Mais duas bases: Metil-citosina e Metil-adenina

Em meados dos anos 80, às clássicas bases nitrogenadas do DNA, adicionou-se mais uma: a metil-citosina (mC), derivada da Citosina. E, no final dos anos 90, a mC foi reconhecida como a principal responsável pelos mecanismos epigenéticos: ela tem a capacidade de ativar ou desativar genes dependendo das necessidades fisiológicas de cada tecido.

Nos anos recentes, os interesses nessa quinta base aumentou, mostrando que alterações na mC contribuem para o desenvolvimento de muitos distúrbios, incluindo o câncer.

E, em 04 de Maio de 2015, um artigo publicado na revista Cell, por Manel Esteller – diretor do Programa de Epigenética e Biologia do Câncer do Instituto de Pesquisa Biomédica de Bellvitge (IDIBELL), pesquisador do Instituto Catalão de Pesquisa e Estudos Avançados (ICREA) e professor de Genética na Universidade de Barcelona -, descreve a possível existência de uma sexta baase nitrogenada, a metil-adenina (mA), que também ajuda a determinar o epigenoma e poderia, ainda, ser a chave da vida em nossas células.

Em bactérias e em organismos complexos

“Sabe-se, por anos, que a bactéria, sendo evolutivamente muito distante de organismos como nós, tem o mA em seu genoma com uma função de proteção contra a inserção de material genético provindo de outros seres. Porém, acreditava-se que esse fosse um fenômeno de células primitivas e que ele fosse muito estático”, descreve Manel Esteller.

“No entanto, esse edição da Cell divulga três papers sugerindo que células complexas (eucarióticas), como as do corpo humano, também apresentam a base. Esses estudos sugerem que as algas, as lombrigas e as moscas possuem o mA, que age como regulador da expressão de determinados genes, constituindo uma marca epigenético. O trabalho só foi possível graças ao desenvolvimento de métodos analíticos com alta sensitividade, pois os níveis de mA nos genomas conhecidos são bem baixos. Além de tudo, a mA, aparentemente, desempenha um papel específico nas células-tronco e nos primeiros estágios do desenvolvimento embrionário”, explica o pesquisador.

“Agora, o desafio que enfrentamos é o da confirmação desses dados e se os mamíferos, incluindo os humanos, também possuem tal base. Assim, saberemos qual o seu papel”.


Fontes:

Materiais providos pelo Instituto de Pesquisa Biomédica de Bellvitge (IDIBELL).


Jornal de Referência:

  1. Holger Heyn, Manel Esteller. An Adenine Code for DNA: A Second Life for N6-Methyladenine. Cell, 2015; DOI: 10.1016/j.cell.2015.04.021

Traduzido e adaptado de:

http://www.sciencedaily.com/releases/2015/05/150504101254.htm

 

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