Telescópio se prepara para capturar a primeira imagem de um buraco negro

No próximo ano, os astrônomos vão tentar algo que jamais foi feito. Eles vão tentar fotografar um buraco negro, mas não qualquer buraco negro, vai ser o Sagitário A * – o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea.

O projeto é chamado de Horizonte de Eventos ou (EHT), ele liga nove telescópios de rádio em todo o mundo (incluindo Chile, Espanha e os EUA) que atuará como um único telescópio, do tamanho da Terra. O gigantesco telescópio será capaz de enxergar o horizonte de eventos de um buraco negro. A equipe espera ver o gás ao redor do turbilhão na fronteira do horizonte de eventos.

O Sagitário A * tem uma massa equivalente a 4 milhões de Sóis, mas ele não é tão grande como pensavamos: Seu diâmetro é de 44 milhões de quilômetros ou (27 milhões de milhas), ele tem cerca de 63 vezes o raio do Sol, e seu diminuto tamanho é o que torna as observações tão complexas. E também está a 26.000 anos-luz de distância de nós, para que você tenha uma dimensão do seu tamanho, é o mesmo que observar a superficie de um CD, só que lá na Lua.

“Estamos quase lá. A introdução progressiva dos instrumentos estão sendo feitas, os receptores estão no lugar e o trabalho teórico tem sido feito”, disse o professor Feryal Ozel, membro da equipe EHT, falando a BBC News. “Há alguns grandes desafios que precisam ser superados para tirar uma foto de um buraco negro – é algo que é extremamente pequeno no céu. Mas o que estamos esperando é um conjunto completo de observações até no início de 2017. “

O horizonte de eventos é o limite que separa o interior do buraco negro do resto do universo. Qualquer coisa que cruza o horizonte de eventos não podem escapar da atração do buraco negro. Ao redor do horizonte de eventos, há uma grande quantidade de gás a ser comprimida pela gravidade, excitando o campo magnético do buraco negro, e assim complicando a observação. A equipe decidiu observar o horizonte de eventos usando ondas de rádio, porque elas seriam menos espalhadas pelos materiais circundantes..

“Temos que executar mais de um milhão de simulações, e serão feitas muitas configurações diferentes para que o gás possa parecer. E em todos os casos, pensamos que o comprimento de onda de 1,3 milímetros é a escolha certa para ver até o horizonte de eventos”, acrescentou Ozel , que discutiu o projeto na 227º reunião da American Astronomical Society.

A equipe está confiante de que o gás no horizonte de eventos brilha precisamente nesse comprimento de onda, e outra grande notícia é que a nossa atmosfera é transparente nesse comprimento de onda.

A observação vai ser bem mais importante do que apenas uma fotografia. Ao estudar a forma de como o buraco negro supermassivo afeta o espaço-tempo, a equipe será capaz de testar a teoria da relatividade de Einstein de uma forma que nunca tinha sido feita antes.

Fonte: IFFCG

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