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A Terra está passando pela maior extinção em massa desde os dinossauros, cientistas alertam

Os seres humanos danificaram os ecossistemas terrestres de forma tão severa que estamos a caminho da maior extinção em massa desde que os dinossauros desapareceram, há 66 milhões de anos? Estamos sem tempo para reverter os impactos negativos de nossas ações? Três cientistas que estudaram as extinções de milhares de espécies de vertebrados acreditam que sim.

Um novo estudo pinta uma imagem sombria: as populações de quase 9 mil espécies de vertebrados diminuíram significativamente entre 1900 e 2015.

Quase 200 espécies desapareceram apenas nos últimos 100 anos. O estudo diz que as perdas são indicativas de eventos de extinção em andamento e têm consequências para a vida humana na Terra.

“Este é o caso de uma aniquilação biológica que ocorre mundialmente, mesmo que as espécies que pertencem a essas populações ainda estejam presentes em algum lugar da Terra”, disse Rodolfo Dirzo, coautor do estudo e professor de biologia da Universidade de Stanford.

Os pesquisadores analisaram 27.600 espécies de aves, anfíbios, mamíferos e répteis – aproximadamente metade de todos os vertebrados conhecidos – e descobriram que 8.851 (cerca de 32%) têm populações e zonas de habitat em declínio.

Uma análise mais detalhada sobre 177 espécies de mamíferos evidenciou que mais de 40% tiveram quedas significativas na população. As descobertas, segundo o estudo, significam que bilhões de populações de animais que uma vez percorreram a Terra já se foram.

Os autores descrevem a diminuição da população de espécies como “uma erosão maciça da maior diversidade biológica na história da Terra”.

“Assim, enfatizamos que a sexta extinção em massa já está em andamento e a janela para uma ação efetiva é muito curta, provavelmente de duas ou três décadas, no máximo”, escreveram os autores. “Todos os sinais apontam para golpes cada vez mais poderosos contra a biodiversidade nas próximas décadas, pintando uma imagem sombria do futuro da vida, incluindo a vida humana”.

Alguns exemplos: havia pouco mais de 7.000 guepardos existentes no ano passado, e sua população pode cair outros 53% nos próximos 15 anos. Os orangotangos de Bornéu e Sumatra foram considerados em extinção há anos, principalmente devido à perda de habitat.

A população de leões africanos caiu mais de 40% nos últimos 20 anos. Os leões da África Ocidental, em particular, estão perto da extinção, com apenas cerca de 400 animais. Hoje, existem apenas populações dispersas na África subsaariana e alguns no Parque Nacional Gir Forest, na Índia, de acordo com o estudo.

“A perda maciça de populações e espécies reflete nossa falta de empatia com todas as espécies selvagens que foram nossas companheiras desde nossas origens”, disse Gerardo Ceballos, principal autor e professor da Universidade Nacional Autônoma do México. “É um prelúdio para o desaparecimento de muitas outras espécies e o declínio dos sistemas naturais que tornam a civilização possível”.

Algumas na comunidade científica estão em desacordo com as sombrias descobertas do estudo.

Stuart Pimm, chefe da ecologia de conservação da Duke University, nos EUA, disse que o estudo levanta alarmes desnecessários ao afirmar que a Terra já está no meio de um evento cataclísmico. Pimm acredita que a sexta extinção em massa está apenas começando, e não em andamento.

“É um pouco dramático”, disse Pimm. “Sim, estamos conduzindo espécies até a extinção mil vezes mais rápido do que deveríamos. Então, sim, há um problema. Mas, por outro lado, dizer às pessoas que estamos todos condenados e que vamos morrer não é útil”.

Outros dizem que as descobertas do estudo são sombrias – e com razão.

Kieran Suckling, diretor executivo do Centro de Diversidade Biológica, disse que os pesquisadores mostraram com precisão que as perdas de população não se limitam apenas a uma determinada área geográfica ou a certas espécies de animais.

“O que eles mostram é que é um fenômeno global”, disse Suckling. “Eu acho que eles mostraram que estamos na sexta extinção, e se continuarmos a tendência, nós estaremos perdendo entre 50% a 75% das nossas espécies ao longo dos próximos cem anos”.

Noah Greenwald, diretor de espécies ameaçadas de extinção do Centro de Diversidade Biológica, concordou com a conclusão dos pesquisadores de que a janela para a ação humana está ficando menor.

“O estudo está certo ao ser alarmante”, disse Greenwald. “Nós realmente precisamos proteger todo o habitat que pudermos. Nossa população continua a crescer, assim como nosso consumo. Nós estamos indo na direção errada”.

O conceito de uma sexta extinção em massa não é novo, e o estudo não é o primeiro a argumentar que a Terra já está no meio dela.

Dois anos atrás, alguns dos mesmos pesquisadores argumentaram que as espécies estão desaparecendo a uma taxa sem precedentes desde a extinção em massa do Cretáceo. O estudo de 2015 descobriu que as espécies de vertebrados têm desaparecido até cerca de 100 vezes mais rápido do que a taxa normal ao longo do século passado.

Em uma nota mais feliz, os cientistas apontam os esforços em andamento para salvar espécies ameaçadas e seus habitats.

Traduzido e adaptado de The Washington Post.

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