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Todas as erupções solares podem ter o mesmo gatilho, afirma estudo

Erupções solares de grande e pequena escala talvez sejam todas desencadeadas por um único processo, de acordo com novas pesquisas que levam a uma melhor compreensão sobre a atividade solar.

Pesquisadores da Universidade de Durham, no Reino Unido, e do Goddard Space Flight Center da NASA, nos EUA, usaram simulações de computador em 3D para mostrar um vínculo teórico entre erupções de grande e pequena escala, que anteriormente acreditavam ser conduzidas por diferentes processos.

Eles analisaram o mecanismo por trás dos jatos coronais – rajadas relativamente pequenas de plasma (gás quente) do Sol – e ejeções de massa coronal (EMCs) em escalas muito maiores, onde nuvens gigantescas de plasma e campo magnético são expelidas para o espaço em alta velocidade.

Sabe-se que ambos os tipos de erupções envolvem densos filamentos semelhantes a serpentes de plasma perto da atmosfera solar, mas até agora como eles entram em erupção em escalas tão diferentes não era claro.

Pesquisadores descobriram que os filamentos dos jatos são acionados para entrar em erupção no momento em que as linhas do campo magnético acima deles se quebram e se juntam novamente – um processo conhecido como reconexão magnética.

O mesmo processo já era conhecido por explicar muitos EMCs. A força e a estrutura do campo magnético ao redor do filamento determinam o tipo de erupção que ocorre, segundo os pesquisadores.

Compreender as erupções solares é importante, já que a sua radiação eletromagnética pode interromper transmissões de rádio e comunicações via satélite e ejetar partículas de alta energia eletricamente carregadas que podem potencialmente comprometer astronautas.

Os EMCs também ajudam a criar espetaculares auroras em ambos os polos magnéticos da Terra no momento em que as partículas carregadas aceleradas pelas EMCs colidem com gases como oxigênio e nitrogênio na atmosfera terrestre.

O novo estudo fornece suporte teórico para pesquisas observacionais anteriores que sugeriam que os jatos coronais são causados ​​da mesma forma que as EMCs.

Os pesquisadores da Universidade de Durham afirmaram que suas últimas descobertas abrangiam todas as erupções solares, desde os maiores EMCs até os menores jatos coronais.

O principal autor do estudo, Dr. Peter Wyper, membro da Royal Astronomical Society, do Departamento de Ciências Matemáticas da Universidade de Durham, disse que: “Anteriormente era pensado que havia diferentes fatores para as diferentes escalas das erupções do Sol, mas nossa pesquisa fornece um modelo teórico universal para este fenômeno, o que é muito emocionante”.

Uma maior compreensão sobre as erupções solares em todas as suas escalas poderia ajudar a prever mais precisamente a atividade solar.

“Ejeções de massa coronal em grande escala, onde grandes quantidades de plasma solar, radiação e partículas de alta energia estão sendo liberadas, podem influenciar o espaço ao redor delas, incluindo o espaço próximo a Terra. Elas podem interferir em comunicações por satélite, por exemplo, por isso é benéfico para nós poder entender e monitorar esta atividade”.

A pesquisa foi financiada pela Sociedade Astronômica Real e a NASA. As simulações de computador foram realizadas no Centro de Simulação Climática da NASA.

Os cientistas chamaram a sua proposta sobre os mecanismos de filamentos que levam a erupções de “modelo de fuga”, por causa da forma como o filamento empurra implacavelmente – e finalmente corta – as restrições magnéticas que o prendem e consegue chegar ao espaço.

O coautor Dr. Richard DeVore, um físico solar no Goddard Space Flight Center da NASA, disse: “O modelo de fuga unifica a nossa imagem do que está acontecendo no Sol. Dentro de um contexto unificado, podemos avançar a compreensão de como essas erupções são iniciadas, como prevê-las e entender melhor suas consequências”.

No futuro, os pesquisadores planejam usar simulações adicionais para testar seu modelo de erupções solares em diferentes configurações magnéticas e estudar como a abundância de partículas de alta energia, que pode afetar satélites e astronautas, é lançada no espaço por esses eventos.

A confirmação do mecanismo teórico exigirá observações de alta resolução do campo magnético e dos fluxos de plasma na atmosfera solar, especialmente em torno dos polos solares, onde muitos jatos se originam – dados que atualmente não estão disponíveis.

Por enquanto, os cientistas estão à espera de missões futuras, como a Solar Probe Plus da NASA e o projeto conjunto da Agência Espacial Europeia com a NASA, chamado Solar Orbiter, que adquirirá novas medidas da atmosfera do Sol e de campos magnéticos que emanam de erupções solares.

Suas descobertas foram publicadas na revista Nature.

Originalmente publicado em Phys.

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