Um dos venenos mais mortais conhecidos poderia ajudar cientistas a tratar o câncer

Lixar um caracol requer habilidade e estômago.

Primeiro, Frank Marí usa um par de pinças para segurar um peixe dourado morto para o caracol; a criatura estende um nariz estreito e em forma de mangueira e cheira a oferta. Em seguida, um outro tubo emerge do interior da concha do caracol – a probóscide.

Este apêndice laranja brilhante é longo e flexível, com um dente afiado no final e, em alguns caracóis, contém veneno suficiente para matar uma pessoa em minutos. A probóscide balança e se prepara para atacar. Rapidamente, Marí troca o peixe para uma armadilha de látex; Quando o caracol apunhalar a armadilha, injetará o veneno em um frasco de plástico.

Marí recebe o veneno e recompensa o caracol com o peixe.

Marí, um bioquímico com o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, não executa esta troca apenas por diversão. Ao estudar os componentes do veneno dos caracóis, ele espera descobrir compostos que possam ajudar a curar doenças.

Na revista Scientific Reports, Marí descreve como ele e seus colegas usaram veneno de caracóis para estudar receptores no sistema imunológico humano. A pesquisa poderia levar ao desenvolvimento de melhores terapias para a tuberculose e alguns tipos de câncer, dizem os cientistas.

É apenas uma das dezenas de usos potenciais para veneno destes caracóis.

No ano passado, Marí e seus colegas publicaram artigos sobre uma enzima de veneno que pode ser usada para quebrar paredes celulares e distribuir drogas para o corpo e outra que pode levar a um novo tratamento para a doença de Parkinson.

Outro integrante da equipe descobriu uma forma de insulina que é ainda mais poderosa que a insulina humana.

Marí vem estudando esses animais submarinos há 15 anos em seu laboratório em Charleston, na Carolina do Sul. Ele chama o aquário de “fazenda”, e os caracóis são basicamente gado domesticado. Assim como pequenas vacas, eles têm seu veneno “ordenhado” cerca de uma vez por semana.

A fazenda tem mais de 60 espécimes de 10 espécies, mas o foco de sua pesquisa mais recente é o Conus purpurascens.

 

Para o seu último artigo, Marí e sua equipe usaram um composto chamado “conotoxina” como uma sonda molecular. Ao desativar certos receptores nas células, a toxina revelou que esses receptores promoviam uma reação inflamatória. Este conhecimento será útil para cientistas que buscam tratamentos para doenças em que esses receptores estão envolvidos.

“A função não é apenas desenvolver medicamentos, mas para descrever o mecanismo que nos permite desenvolver um entendimento que acabará tendo propósitos medicinais”, explicou Marí.

Traduzido e adaptado de Science Alert.

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