Um iceberg de 1 trilhão de toneladas se separou da Antártida

Uma fenda na prateleira de gelo Larsen C, uma extensão da camada de gelo terrestre, criou um iceberg de cerca de 5.800 quilômetros quadrados (pouco maior que o Distrito Federal) e com um volume duas vezes maior do que o Lago Erie, um dos Grandes Lagos da América do Norte.

“O iceberg pesa mais do que um trilhão de toneladas, mas já estava flutuando antes que ele se soltasse, de modo que não teve impacto imediato no nível do mar”, disse uma equipe de pesquisadores do projeto de pesquisa MIDAS Antarctic. O gigantesco cubo de gelo provavelmente será chamado A68.

“O surgimento deste iceberg fez com que a área plataforma de gelo Larsen C fosse reduzida em mais de 12%, e a paisagem da Península Antártica mudou para sempre”, acrescentou a equipe.

A separação foi registrada por um satélite da NASA.

O rompimento das prateleiras de gelo ocorre naturalmente, embora o aquecimento global tenha acelerado o processo em algumas regiões. A água do oceano causa erosão na parte inferior, enquanto o aumento das temperaturas do ar as enfraquece de cima.

Imagem de satélite mostrando a rachadura e comparando a área com o País de Gales. Crédito de imagem: satélite Aqua MODIS, da NASA.

O surgimento de icebergs na Antártida é uma ocorrência regular, e existem milhares deles.

“Os grandes são mais fáceis de detectar no oceano. Este, com certeza, será rastreado muito facilmente por satélite”, disse Mark Drinkwater, especialista em gelo da Agência Espacial Européia (ESA). “A preocupação é com o rompimento em icebergs menores”.

Existe também o risco de que icebergs menores se soltem agora, após a separação do pedaço principal.

“Parece haver uma série de fraturas que podem indicar que outras peças se rompam depois”, disse Drinkwater. O destino de A68 é difícil de prever. Drinkwater disse que o iceberg poderia “andar por aí” por algum tempo antes que as marés e o vento o forçassem para o mar.

De acordo com uma declaração da ESA, as correntes oceânicas poderiam arrastar o iceberg (ou partes dele) tão distantes para o norte quanto as Ilhas Falkland, representando um perigo para os navios na Passagem Drake.

Os especialistas discordam sobre isso aumentar o risco da Larsen C se desintegrar como seus vizinhos Larsen B (em 2002) e Larsen A (em 1995). Flutuando no oceano, as prateleiras de gelo são alimentadas por geleiras que fluem lentamente da terra.

Sem elas, as geleiras fluiriam diretamente para o mar.Se as geleiras detidas por Larsen C fossem derramadas no Oceano Antártico, elevaria o nível dos oceanos globais em cerca de 10 centímetros, pesquisas anteriores mostraram.

Com sua nova forma e tamanho, Larsen C pode ser menos estável, alertaram os pesquisadores da MIDAS.

 

De acordo com Martin O’Leary, glaciólogo da Universidade de Swansea, “não temos conhecimento de nenhuma ligação com a mudança climática induzida pelo homem”. No entanto, isso não significa que outras prateleiras já não sintam os efeitos do aquecimento.

As ações humanas elevaram a temperatura do ar média global em cerca de 1º C desde a revolução industrial, e a Antártica é uma das regiões que mais sentiu este impacto no planeta.

Traduzido e adaptado de Phys.

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