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Um recife gigantesco foi encontrado na foz do Rio Amazonas

Os recifes de corais estão desaparecendo na maior parte do mundo, porém, isso ainda não é motivo para desespero. Uma vasta cadeia de recifes foi descoberta no mais improvável dos lugares e está sobrevivendo muito acima do esperado para essa região. Corais só crescem em água salgada, de maneira que na desembocadura dos rios eles não crescem por causa do movimento constante de correntes de água doce. No entanto, cientistas brasileiros encontraram um recife de coral no Rio Amazonas. Ele supostamente se estende por mais de 960 quilômetros, e tem entre 30 e 120 metros de profundidade, mas surpreendentemente não havia sido descoberto até agora, segundo o relato de um artigo publicado na revista Science Advances .

A quantidade de água do Rio Amazonas é tão surpreendente que ela adentra quilômetros no mar retirando a salinidade. Em profundidades maiores, no entanto, as correntes de profundidade do Oceano mantém a água salgada o suficiente para suportar a formação de estruturas calcárias que formam os recifes de coral. Se não fosse pela água doce, a foz do Amazonas seria um lugar perfeito para corais, com uma enorme plataforma continental coberta com água profunda o suficiente para os recifes prosperarem, o que eles vem fazendo desde que o nível do mar subiu após a Era do Gelo. “Atualmente, a alta carga de sedimentos do rio se instala de forma relativamente rápida no assoalho do oceano,” diz o relatório, impedindo o crescimento de corais perto da costa, mas a plataforma externa é muito mais convidativa. Águas barrentas interferem no crescimento por vários meses ao ano, mas as águas claras de agosto a janeiro (Época de secas) permitem que os corais floresçam.

O mapa mostra a localização dos recifes e a extensão sazonal de plumas lamacentas que impedem o crescimento. Os esquemas mostram a coluna de água, dependendo da extensão da pluma de sedimentos. Fonte: Science Advances Moura et al
O mapa mostra a localização dos recifes e a extensão sazonal de plumas lamacentas que impedem o crescimento. Os esquemas mostram a coluna de água, dependendo da extensão da pluma de sedimentos. Fonte: Science Advances Moura et al

Relatos de peixes habitando os recifes de corais remontam a 1977, porém, foi somente no ano passado que a existência de um sistema de recifes no local foi divulgado. As últimas estimativas sugerem que o recife tenha 9.500 quilômetros quadrados. Tal vasto sistema vai levar anos para ser pesquisado, porém os autores já começaram a estudar a encosta superior. Eles relatam uma abundância de “grandes esponjas e outros poríferos,” ocupando áreas de até 300 metros de comprimento. O recife do Amazonas é menos biologicamente diversificado do que outros recifes tropicais, que abrigam um quarto das espécies marinhas do mundo. No entanto, os autores encontraram 73 espécies de peixes naturais dos recifes e 40 espécies de corais, alguns previamente desconhecidos em águas brasileiras. Entre as muitas espécimes de esponjas, 29 ainda tem que ser reconhecidas, e podem ainda representarem novas espécies.

Os recifes são vulneráveis a mudanças no nível do mar, a química dos oceanos, e temperatura, mas a estrutura indica que os corais do sul ainda estão crescendo, demonstrando uma capacidade adaptativa que pode ser aplicável aos corais de outros lugares. Perturbadoramente, no entanto, a produção de petróleo foi iniciada nas proximidades e como esses recifes não são resistentes, é improvável que eles sobrevivam a um grande vazamento.

Rodrigo Moura pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro com um dos corais retirados da foz do Amazonas onde ninguém esperava que houvessem. Fonte: Universidade Federal do Rio de Janeiro
Rodrigo Moura pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro com um dos corais retirados da foz do Amazonas onde ninguém esperava que houvessem. Fonte: Universidade Federal do Rio de Janeiro

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