Uma relação direta entre as mudanças climáticas e a emergência de doenças infecciosas

Créditos: IRD
46

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Researchers-Discover-Connection-between-Climate-and-Emerging-Diseases

Novas doenças

Mudanças climáticas podem afetar a saúde humana diretamente ou indiretamente. Além do aumento de tempestades, enchentes, secas e ondas de calor, outros riscos à saúde estão sendo identificados. Em particular, novas doenças estão aparecendo, causadas por agentes infecciosos (vírus, bactérias, parasitas) até então desconhecidos ou que estão mudando, especialmente sob o efeito de mudanças no clima. Essas são chamadas, então, de doenças infecciosas “emergentes” ou “re-emergentes”, tal como a leishmaniose, Febre do Nilo Ocidental, etc. De acordo com a OMS, essas doenças estão causando um terço das mortes pelo mundo e países em desenvolvimento estão na linha de frente.

Um relação difícil de estabelecer

Muitos parâmetros podem estar por trás desse aumento de patógenos e de seus hospedeiros (vetores, reservatórios, etc.). As mudanças climáticas modificam as condições de temperatura e umidade em ambientes naturais, e, ainda, alteram a dinâmica de transmissão de agentes infecciosos. Elas também afetam o grau, a abundância, o comportamento, os ciclos biológicos e os traços da história de vida dos microrganismos ou espécies hostis relacionadas, mudando os equilíbrios entre os patógenos, os vetores e os reservatórios. Entretanto, esses efeitos permanecem mal explicados, em particular porque eles requerem um entendimento de mudanças temporais e especiais de longo-termo. Então, torna-se difícil estabelecer uma relação direta entre as mudanças climáticas e a evolução global de patologias infecciosas;

Decréscimo de chuvas ‘rima’ com epidemia

Ao fornecer alguns esclarecimentos dessa questão pela primeira, um estudo por pesquisadores do IRD e parceiros demonstrou a relação de um período de 40 anos entre mudanças climáticas e epidemias de uma doença emergente na América Latina: a úlcera de Buruli. O aumento das temperaturas da superfície no Oceano Pacífico tende a aumentar a frequência dos eventos do El Niño, que afeta especialmente as Américas Central e do Sul a cada sete anos, causando ondas de seca. O time de pesquisadores comparou mudanças nas chuvas da região com mudanças no número de casos da úlcera do Buruli, relatadas na Guiana Francesa desde 1969, e observou correlações estatísticas.

Na verdade, a baixa pluviosidade e o escoamento guiaram um aumento nas áreas de água residuais estagnadas, onde a bactéria responsável, Mycobacterium ulcerans, se prolifera. O maior acesso a habitats pantanosos é o que resulta na frequentação dos locais pelos humanos (para pesca, caça, etc.) e, então, intensifica a exposição ao microrganismo que vive nesse tipo de ambiente. O resultado, publicado em Emerging Microbes and Infections – Nature,foi possível graças a vários dados de séries temporais a longo-prazo.

Em função das condições pluviométricas dos últimos anos, os pesquisadores temem um potencial novo surto da úlcera de Buruli na região. Além da melhora na previsão do risco de uma epidemia, o estudo destaca a necessidade de considerar uma série de parâmetros e suas interações. Porém, ao contrário da ideia aceita, menos chuvas não significa uma diminuição na prevalência de doenças infecciosas, como mostra esse exemplo. Similarmente, o aquecimento da atmosfera também pode prover condições de temperatura vitais para o desenvolvimento de patógenos, como a malária, na África.

Traduzido e adaptado de:

A Direct Link between Climate Change and the Emergence of Infectious Diseases

Fonte: RD: Institute of Research for Development

[NOTA: Eu não sei o que a imagem tem a ver com o assunto, mas era a que tinha no texto original]

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

Comentários
Carregando...