Vídeo de tigres caçando drone esconde uma triste realidade

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Por Stephanie Pappas | Live Science

Traduzido e adaptado por Matheus Gonçalves

 

Em um vídeo divulgado pela emissora de TV chinesa CCTV, podemos ver tigres siberianos no Parque do Tigre Siberiano, em Harbin, nordeste da China, correndo atrás de um drone na neve em fevereiro. De acordo com a CCTV, os funcionários do parque usam os drones para exercitar os felinos e ajudá-los a perder os quilos que ganham durante o inverno.

Quando um golpe finalmente derrubou o dispositivo eletrônico, os tigres o atacaram até que estivesse completamente destruído, parando apenas por se assustarem com a fumaça liberada.

O vídeo se tornou viral, mas a história por trás do parque não é apenas divertimento para os tigres. O parque já foi acusado de não ser um verdadeiro santuário de tigres, mas uma “fazenda de tigres” – um local de reprodução onde tigres mortos têm suas peles e ossos recolhidos, que são usados na medicina tradicional chinesa para produção de vinho.

Em 2014, um repórter visitou o parque e descobriu que muitos tigres eram mantidos em pequenas gaiolas “visivelmente rolando em seus excrementos”. Garrafas de vinho estavam à venda e os funcionários disseram que eram feitos de osso de tigre. O produto é proibido na China.

“O vídeo do drone é uma distração da realidade bastante sinistra e obscura”, disse Dibbie Banks, chefe da campanha de tigres do Environmental Investigation Agency, grupo de defesa da vida selvagem sediado em Londres. “Aqueles tigres vão acabar sendo transformados em vinho ou tapetes.”

Veja o vídeo:

Existem apenas 360 tigres siberianos vivendo na natureza, de acordo com a IUCN, que lista espécies ameaçadas. Relatórios de notícias afirmam que apenas o parque de Harbin tem entre 500 e 1000 tigres.

O governo chinês afirma que parques como o de Harbinsão para fins de conservação. Banks explica que os animais desses parques são muitas vezes consanguíneos e não poderiam sobreviver fora do parque. Como o vídeo mostra, os tigres são mantidos em grandes grupos, apesar do fato de normalmente viverem solitários na natureza.

“Eles são mantidos em grupos anormalmente grandes, o que é mais um indicador de que não estão sendo criados em um ambiente onde poderiam ser libertados na natureza”, explicou Banks.

Existem entre 5.000 e 6.000 tigres em cativeiro na China, e muitos deles estão em condições de vida ainda piores que a do parque de Harbin, que tendem a atrair críticas internacionais e atenção da mídia. Tailândia, Laos e Vietnã também são países com “safaris” ligados ao comércio internacional de ossos e peles de tigre.

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