A Terra está prestes a cruzar 5 limiares críticos

por Lucas
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A Groenlândia experimentou um aumento significativo na temperatura média nos últimos 40 anos, com uma elevação de aproximadamente 8°C. Essa mudança ocorreu por meio de incrementos abruptos, embora pequenos, cujas causas não são totalmente compreendidas. O derretimento do gelo da Groenlândia levou ao acúmulo de água doce no Mar de Labrador, principalmente por meio de icebergs que se desprendem da extensa calota de gelo da Groenlândia. Esse influxo de água doce está impactando o sistema de correntes do Atlântico Norte, afetando consequentemente as condições climáticas globais.

O fenômeno conhecido como eventos Dansgaard-Oeschger, que ocorreu cerca de 25 vezes durante a última era glacial, é evidenciado através de registros paleoclimáticos obtidos dos núcleos de gelo da Groenlândia. Esses eventos são críticos para entender como o sistema climático da Terra historicamente atingiu e ultrapassou pontos de inflexão, levando a mudanças planetárias significativas e irreversíveis.

A preocupação atual é que pontos de inflexão semelhantes estejam sendo abordados e potencialmente excedidos devido às atividades humanas, como emissões de gases de efeito estufa, desmatamento, poluição e degradação ambiental em geral. O último relatório de avaliação sobre os pontos de inflexão do planeta, liderado pelo Instituto de Sistemas Globais da Universidade de Exeter e apresentado na COP28 em Dubai, destaca essa situação crítica. O relatório sugere que, sem mudanças significativas nas atividades humanas, efeitos em cascata catastróficos podem ameaçar a estabilidade e o bem-estar da sociedade em uma escala sem precedentes.

Interessantemente, o relatório é apoiado pelo Bezos Earth Fund, uma iniciativa de US$ 10 bilhões estabelecida por Jeff Bezos, fundador da Amazon e figura proeminente na indústria aeroespacial privada. Bezos, apesar de sua riqueza e empreendimentos comerciais que contribuem significativamente para as emissões de CO2 e produção de resíduos, parece estar se engajando em esforços para combater as mudanças climáticas por meio deste fundo.

A Terra está prestes a cruzar 5 limiares críticos

O relatório identifica especificamente 5 pontos de inflexão climáticos iminentes: o colapso das calotas de gelo da Groenlândia e da Antártica Ocidental, a destruição dos recifes de corais de águas quentes, a desaceleração das correntes do Atlântico Norte e o degelo do permafrost. Estes são limiares críticos além dos quais o sistema da Terra pode se reorganizar de forma irreversível, muitas vezes abruptamente. A pesquisa indica que esses pontos de inflexão podem ser cruzados nas próximas décadas, mesmo com níveis mais baixos de aquecimento global do que o previsto anteriormente. As consequências de cruzar esses pontos podem ser catastróficas, potencialmente levando a uma redução significativa na produção agrícola global e desencadeando um efeito dominó de danos acelerados e difíceis de gerenciar.

A natureza interconectada do mundo moderno significa que os efeitos de cruzar um ponto de inflexão em uma região podem rapidamente se espalhar globalmente, como evidenciado durante a pandemia de COVID-19, causando impactos sociais e econômicos significativos. Portanto, reduzir a vulnerabilidade das sociedades a esses impactos é tão crucial quanto implementar medidas para interromper as mudanças climáticas.

Manjana Milkoreit, pesquisadora da Universidade de Oslo e especialista em governança ambiental global, enfatiza a urgência de mudar radicalmente os esforços de mitigação. Segundo Milkoreit, o nível atual de aquecimento global já representa uma alta probabilidade de ultrapassar esses 5 limiares se a temperatura média global subir mais de 1,5°C em relação aos tempos pré-industriais. Ela defende uma maior ambição na redução das emissões de gases de efeito estufa, especialmente no contexto da COP28, que está revisando o progresso em direção aos objetivos do Acordo de Paris e definindo prioridades futuras.

O relatório também aborda pontos de inflexão positivos na ação climática, propondo que ações coordenadas têm o potencial de desencadear mudanças significativas na mitigação do aquecimento global. Essas mudanças positivas podem incluir avanços tecnológicos como a eletrificação dos transportes, mudanças organizacionais como a melhoria do transporte público e alterações no estilo de vida, como a redução do consumo de carne. Laura Pereira, pesquisadora do Centro de Resiliência de Estocolmo e coautora do estudo, aponta o potencial transformador do sistema financeiro em deslocar capital de investimentos prejudiciais, como combustíveis fósseis, para alternativas mais sustentáveis.

Para mudar de curso e evitar cruzar limiares climáticos perigosos, o relatório delineia seis recomendações chave:

  • Eliminar o uso de combustíveis fósseis e reduzir as emissões do uso da terra.
  • Fortalecer a governança global para adaptação climática, incluindo mecanismos para perdas e danos.
  • Incorporar pontos de inflexão na revisão das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) sob o Acordo de Paris.
  • Coordenar ações globais entre países e entidades não governamentais para impulsionar pontos de inflexão positivos.
  • Convocar uma cúpula global da ONU para gerenciar os riscos associados ao cruzamento de pontos de inflexão negativos.
  • Aprimorar o estudo de pontos de inflexão para entender melhor seus impactos e dinâmicas.

Os pesquisadores enfatizam a urgência de abordar as mudanças climáticas e a necessidade de uma transformação rápida na forma como as emissões e os combustíveis fósseis são gerenciados. Laura Pereira conclui, enfatizando o risco que os pontos de inflexão representam para a biosfera e o bem-estar humano, sublinhando a importância de uma ação oportuna e decisiva na transformação do sistema e na redução das emissões para evitar resultados catastróficos.

Fonte: Climatica

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