Cientistas instalam sensores meteorológicos em pássaros grandes para monitorar a atmosfera

por Lucas
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Um estudo foi apresentado na reunião anual da União Geofísica Americana (AGU) em 13 de dezembro de 2023, em São Francisco, exibindo um método inovador de coleta de dados atmosféricos. A pesquisa focou no uso de grandes fragatas, que são conhecidas por habitarem regiões tropicais e frequentemente voarem em altitudes em torno de 2.000 metros, com voos ocasionais atingindo até 4.000 metros. Essas aves, equipadas com pequenos sensores, foram identificadas como ferramentas potenciais para coletar informações detalhadas sobre a camada limite planetária (PBL). A PBL é uma camada atmosférica dinâmica mais próxima à superfície da Terra, crucial para entender padrões climáticos, qualidade do ar e impactos atmosféricos vivenciados no solo.

O estudo, liderado por Ian Brosnan, um cientista marinho do Centro de Pesquisa Ames da NASA, enfatiza a importância da PBL na conexão da atmosfera com as superfícies dos oceanos, terra e gelo. A camada experimenta flutuações na altura ao longo do dia, influenciando muitos processos climáticos e meteorológicos. Brosnan destacou que entender a dinâmica da PBL é essencial para responder várias questões sobre o sistema terrestre. Métodos tradicionais para estudar a PBL têm dependido fortemente de medições baseadas em terra ou sensoriamento remoto. No entanto, essas técnicas enfrentam desafios significativos, especialmente em regiões oceânicas remotas onde amostras in situ são difíceis de obter.

O conceito de usar fragatas para coleta de dados atmosféricos surgiu de um projeto relacionado de Morgan Gilmour, um ecologista da NASA e coautor do estudo. Gilmour anteriormente utilizou fragatas carregadas de sensores para avaliar a eficácia de uma área marinha protegida ao redor do Atol de Palmyra no Oceano Pacífico. Brosnan, estabelecendo uma conexão entre os padrões de voo das aves e a PBL, hipotetizou que o projeto de Gilmour poderia ter coletado inadvertidamente dados valiosos da PBL. Essa hipótese levou a uma análise comparativa entre as medições da PBL de 2006-2019 e os dados de voo das fragatas.

Abram Fleishman

Abram Fleishman

Os resultados dessa comparação foram impressionantes. As alturas médias de longo prazo da PBL na área de estudo coincidiram estreitamente com os dados de altitude registrados pelas aves. Essa descoberta confirmou a suspeita de Brosnan de que as fragatas poderiam amostrar efetivamente a PBL, oferecendo uma nova abordagem para a coleta de dados atmosféricos. As aves marcadas registraram com sucesso perfis de temperatura dentro da PBL, demonstrando uma habilidade de coletar dados em condições onde métodos tradicionais, como durante o tempo nublado ou à noite, poderiam falhar.

Essa abordagem inovadora tem implicações significativas para a pesquisa atmosférica e climática. Brosnan observou que esses novos métodos de utilizar dados de rastreamento animal poderiam ajudar a NASA a medir a PBL mais efetivamente, melhorando assim as previsões climáticas e aprimorando as previsões meteorológicas e de qualidade do ar. O sucesso deste estudo também levou ao desenvolvimento do projeto “Internet dos Animais” pela NASA. Este projeto visa integrar medições de sensoriamento remoto com dados obtidos de sensores em animais, incluindo agora dados da PBL de fragatas.

Brosnan ressaltou a importância de colaborações interinstitucionais e interdisciplinares neste campo. Ao estreitar a lacuna entre as comunidades de rastreamento animal e ciência atmosférica, o estudo abre novos caminhos para enriquecer a pesquisa em ambos os domínios. O uso de fragatas como amostradores atmosféricos marca um passo adiante na busca para entender a dinâmica complexa da atmosfera da Terra e seu impacto nos padrões climáticos e meteorológicos globais.

Fonte: Advancing Earth and Space Sciences

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