A Terra está girando mais rápido. Por que isso está acontecendo e o que isso significa?

por Lucas
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Em 2020, a Terra completou várias de suas rotações em torno de seu eixo milissegundos mais rápido do que a média. Isso representa um problema para o Tempo Universal Coordenado, que utiliza relógios atômicos extremamente precisos para medir milissegundos, segundos e minutos. A variação na rotação da Terra ocorre naturalmente devido aos efeitos da atmosfera, oceanos e núcleo terrestre.

Quando o tempo atômico e a duração do dia, determinada pela rotação da Terra, desviam-se por mais de cerca de 0,4 segundos, os responsáveis pela medição do tempo internacional precisam ajustar os relógios. Até agora, isso envolvia a adição de um segundo intercalar no último minuto de junho ou dezembro, alongando o dia por um instante. Isso se deve ao fato de que a tendência geral na rotação da Terra tem sido de desaceleração, até agora.

No entanto, em 2020, a Terra experimentou seus 28 dias mais rápidos desde 1960. O dia mais rápido foi 19 de julho, quando o planeta girou cerca de 1,4602 milissegundos mais rápido do que seus 86.400 segundos médios. Se essa tendência continuar, os responsáveis pela medição do tempo internacional podem eventualmente precisar de um segundo intercalar negativo, subtraindo um segundo do final do dia, em vez de adicionar um.

A Terra girando mais rápido

Historicamente, acredita-se que a rotação da Terra esteja gradualmente desacelerando, principalmente devido às interações gravitacionais com a Lua e ao efeito das marés oceânicas. Essas marés, causadas pela atração gravitacional da Lua (e em menor grau do Sol), criam um atrito que age como um freio na rotação da Terra, um processo que tem sido observado ao longo de milhões de anos.

No entanto, as observações recentes, como as de 2020, mostram que a Terra completou suas rotações diárias em um tempo ligeiramente menor do que a média. Isso indica uma aceleração na rotação, que é um desvio notável da tendência de longo prazo de desaceleração. A razão exata para essa aceleração é complexa e pode envolver vários fatores, incluindo variações na distribuição de massa da Terra devido a processos geológicos, mudanças atmosféricas e oceânicas, e até mesmo atividades humanas que podem afetar a distribuição de massa e a dinâmica do planeta.

Essa mudança na rotação da Terra tem implicações para a forma como medimos o tempo. O Tempo Universal Coordenado (UTC), que é baseado na precisão dos relógios atômicos, precisa estar em sincronia com a rotação da Terra. Quando há uma discrepância significativa entre o tempo atômico e o tempo solar, ajustes são feitos, geralmente na forma de segundos intercalares. Tradicionalmente, esses segundos são adicionados para compensar a desaceleração da rotação da Terra, mas se a tendência de aceleração continuar, pode surgir a necessidade de um segundo intercalar negativo, ou seja, a subtração de um segundo, o que seria um evento sem precedentes na história da cronometragem moderna.

A decisão de adicionar ou subtrair um segundo intercalar é tomada pelo Serviço Internacional de Rotação da Terra e Sistemas de Referência, com sede em Paris. Essa organização monitora continuamente a rotação da Terra e toma decisões com base em dados precisos e detalhados. A introdução de um segundo intercalar negativo, se necessário, seria um marco na história da cronometragem e refletiria uma mudança notável na dinâmica física do nosso planeta.

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