A substância mais cara do planeta “custa 62 trilhões de dólares por apenas um grama”

por Lucas
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A antimatéria, frequentemente destacada na ficção científica, não é apenas um conceito de fantasia. Ela é real e detém o título de ser a substância mais cara na Terra, com um preço impressionante de cerca de $62,5 trilhões por grama (aproximadamente R$ 326 trilhões). Esse fato pode causar espanto e despertar a curiosidade. Por que tão cara? A jornada para entender o valor da antimatéria começa com a exploração de sua natureza e os esforços revolucionários para produzi-la.

O que é antimatéria?

Vamos mergulhar no mundo das partículas subatômicas, onde prótons, elétrons e nêutrons são as estrelas do espetáculo. Essas partículas são os blocos de construção do universo como o conhecemos. No entanto, há uma reviravolta na história, graças a um brilhante físico chamado Paul Dirac.

Em 1930, Dirac, ao trabalhar na descrição do elétron, deparou-se com uma ideia revolucionária. Ele previu a existência de um antieletrão ou pósitron, idêntico ao elétron em massa, mas oposto em carga. Essa previsão foi um divisor de águas. Sugeriu uma imagem espelhada de nosso mundo repleto de matéria, um universo de antimatéria.

O conceito de antimatéria pode soar como um enredo de um filme de ficção científica, mas é um aspecto fundamental do nosso universo. Para cada partícula, existe uma antipartícula. Quando se encontram, aniquilam-se mutuamente em um lampejo de energia, seguindo a famosa equação de Einstein E=mc². Esse processo de aniquilação não é um evento qualquer. É imensamente poderoso, superando em muito a liberação de energia de explosões químicas como TNT e até mesmo explosões nucleares.

Criando antimatéria

CERN

A criação de antimatéria é uma proeza da engenhosidade e tecnologia humanas. Os cientistas se concentraram na forma mais simples de matéria, o hidrogênio, para produzir seu contraparte de antimatéria, o antihidrogênio. Um átomo de hidrogênio é composto por um elétron e um próton. Então, antihidrogênio? É composto por um antipróton e um pósitron. A primeira síntese bem-sucedida de antihidrogênio ocorreu em 1995 no CERN, a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear. Esta foi uma conquista marcante, mas veio com seus desafios.

A antimatéria é complicada de manusear. Ela se aniquila ao entrar em contato com a matéria, liberando energia. Essa propriedade a torna incrivelmente difícil de armazenar e estudar. Imagine tentar segurar algo que desaparece no momento em que toca qualquer coisa. No entanto, os cientistas não são facilmente dissuadidos. Eles desenvolveram um método para desacelerar os antihidrogênios e contê-los. Ao resfriá-los para apenas meio grau acima do zero absoluto, a temperatura teoricamente mais fria alcançável, eles poderiam impedir que essas partículas elusivas se aniquilassem imediatamente. Esse método permitiu que os cientistas mantivessem o antihidrogênio produzido por mais de 15 minutos em 2011, um avanço significativo na pesquisa de antimatéria.

Por que tão cara?

O colisor super do CERN, o coração da produção de antimatéria, é uma maravilha da engenharia e da física. É a máquina mais complexa já construída pelos humanos, estendendo-se por cerca de 16 quilômetros e equipada com 9300 ímãs. Esses ímãs precisam ser super-resfriados a incríveis −271,25° C usando hélio líquido. As partículas dentro do colisor são aceleradas a 99,99% da velocidade da luz, exigindo até 120 MW de energia elétrica. Isso é o suficiente para alimentar uma grande cidade!

A construção do colisor do CERN foi uma tarefa monumental, levando cerca de uma década e custando cerca de $4,75 bilhões (aproximadamente R$ 24,8 bilhões). Seu orçamento operacional é de cerca de $1 bilhão por ano (aproximadamente R$ 5,2 bilhões por ano), com os custos de eletricidade sozinhos em $23,5 milhões anuais (aproximadamente R$ 122,7 milhões anuais). Considerando esses números e a tecnologia envolvida, não é surpresa que a produção de antimatéria venha com um preço elevado.

Mas por que todo esse esforço pela antimatéria? Além de seu preço, a antimatéria possui um imenso valor científico. Ela é a chave para entender a física fundamental e o funcionamento do universo. A pesquisa em antimatéria pode abrir caminho para novas tecnologias e aprofundar nossa compreensão da física. É uma fronteira da ciência, onde cada descoberta potencialmente abre portas para avanços revolucionários.

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