Buraco negro supermassivo está se aproximando do limite de velocidade cósmica, arrastando o espaço-tempo junto com ele

por Lucas
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Cientistas revelaram novos insights sobre o enigmático buraco negro supermassivo no coração da nossa galáxia, Sagitário A* (Sgr A*). Utilizando tecnologia avançada, a equipe descobriu que sua velocidade de rotação está próxima do máximo teórico. Essa descoberta não apenas aprofunda nossa compreensão sobre buracos negros, mas também abre novos caminhos para pesquisas astrofísicas.

O estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, foi liderado pela física Ruth A. Daly, da Universidade Estadual da Pensilvânia. Daly e sua equipe usaram o Observatório de Raios-X Chandra da NASA para observar os raios-X e ondas de rádio emitidos pelo Sgr A*. Seus achados indicam que Sgr A* está girando a uma taxa entre 0,84 e 0,96, numa escala onde 1 representa a velocidade máxima possível para um buraco negro. Essa velocidade é uma fração significativa da velocidade da luz, destacando o imenso poder e energia do Sgr A*.

Compreendendo as Implicações da Rotação do Sgr A*

A descoberta da rápida rotação do Sgr A* tem implicações de longo alcance. Xavier Calmet, físico teórico da Universidade de Sussex que não participou do estudo, explica que essa descoberta aprimora nossa compreensão da formação de buracos negros e dos processos astrofísicos associados. Diferentemente de corpos celestes sólidos como planetas e estrelas, buracos negros são regiões do espaço-tempo sem superfície física. Sua rotação, portanto, cria efeitos únicos, como a ergosfera, onde o espaço-tempo é tão distorcido que qualquer coisa dentro dela é arrastada junto com a rotação do buraco negro.

Esse fenômeno, conhecido como “arrasto de referencial” ou “efeito Lensing-Thirring”, desempenha um papel vital no comportamento do espaço ao redor de um buraco negro. Ele leva a efeitos visuais bizarros, incluindo a lente gravitacional, onde a trajetória da luz é curvada devido à influência gravitacional do buraco negro rotativo. Esses efeitos são fundamentais para observar e entender a natureza enigmática dos buracos negros.

A rotação de um buraco negro também nos informa sobre seus hábitos alimentares e crescimento. À medida que a matéria cai em um buraco negro, ela adiciona ao seu momento angular, aumentando sua rotação. No entanto, há um limite para esse processo, governado pela massa do buraco negro e a interação com seu entorno, como discos de acreção. O tamanho massivo de Sgr A*, equivalente a cerca de 4,5 milhões de sóis, juntamente com sua rápida rotação, fornece insights sobre seu crescimento e a dinâmica de sua galáxia circundante.

Além disso, comparar Sgr A* com outros buracos negros supermassivos, como o do centro da galáxia M87 – o primeiro buraco negro a ser fotografado – revela diferenças intrigantes. Apesar do buraco negro de M87 ser muito mais massivo, com uma massa de cerca de 6,5 bilhões de sóis, sua taxa de rotação é comparativamente menor, entre 0,89 e 0,91. Esse contraste oferece uma perspectiva única de como diferentes buracos negros evoluem e interagem com seus ambientes.

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