Campo magnético da Terra ‘mutante e irregular’ está dando dores de cabeça aos cientistas

por Lucas
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Já se perguntou como o seu GPS sabe exatamente onde você está? Tudo se resume ao campo magnético da Terra. Mas acontece que ele não é tão constante quanto você pensa. Ele gosta de pregar peças, graças às mudanças diárias no vento solar e às dramáticas tempestades solares. Isso significa problemas para os sistemas de navegação em satélites, aviões, navios e carros.

Então, como os cientistas lidam com essas mudanças magnéticas? Eles usam modelos do campo magnético, que são basicamente mapas das vibrações magnéticas da Terra. Esses modelos podem vir de dados coletados na superfície do planeta ou de satélites em órbita baixa. Cada método tem suas particularidades.

Anteriormente, a culpa pelas diferenças nos modelos era atribuída ao clima espacial. Mas um estudo recente mudou o jogo. Acontece que os erros de modelagem são também culpados, não apenas os fenômenos geofísicos. Essa revelação foi publicada no Journal of Geophysical Research.

A equipe de Michigan estudou os dados dos satélites da missão Swarm, comparando-os com o Modelo de Referência Geomagnética Internacional (IGRF-13). Eles focaram em períodos de atividade geomagnética baixa a moderada, que cobre impressionantes 98,1% do tempo entre 2014 e 2020.

Constelação de satélites SWARM para análise do campo magnético da Terra. ESA

Aqui está o ponto: os dados dos satélites são super sensíveis às flutuações do campo magnético, enquanto os modelos baseados na Terra focam no campo magnético interno, muitas vezes ignorando as tempestades solares. Modelos como o IGRF-13 rastreiam as mudanças dos polos magnéticos da Terra, como o deslocamento anual de 45 km do Polo Norte para noroeste.

Mas tem mais. As maiores dores de cabeça para os modeladores vêm dos polos – os do norte e do sul, que são como água e óleo quando se trata de campos magnéticos. Essa assimetria desestabiliza muito os modelos. Segundo Yining Shi, um cientista pesquisador em Michigan, a suposição de polos simétricos é um conto de fadas. O polo norte fica por volta de 84° de latitude magnética e 169° de longitude magnética, enquanto o polo sul está em −74° de latitude magnética e 19° de longitude magnética.

Os satélites Swarm orbitam sobre os polos, levando a um viés com toneladas de medições nessas regiões. Isso só piora as discrepâncias nos modelos.

Mark Moldwin, professor em Michigan, explica que reconhecer que as diferenças nos modelos vêm da assimetria do campo magnético, não apenas do clima espacial, é crucial. Esse insight pode renovar os modelos geomagnéticos e melhorar a precisão da navegação para satélites e aviões.

Os campos magnéticos polares estão mais mutáveis do que nunca. Isso adiciona mais uma camada de complexidade para criar modelos magnéticos precisos. Moldwin observa que essa mudança rápida é uma dor de cabeça para os cientistas.

Então, da próxima vez que seu GPS te guiar perfeitamente por uma cidade nova, tire o chapéu para esses pesquisadores que estão lidando com as peculiaridades magnéticas da Terra. Eles são os heróis não celebrados que garantem que você não acabe em um buraco ou no lado errado da cidade.

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