Declínio da população global: por que isso pode acontecer e quais podem ser as consequências?

por Lucas
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A população humana global, apesar de ter ultrapassado a marca de 8 bilhões há mais de um ano, está experimentando sua taxa de crescimento mais lenta desde 1950. Essa desaceleração se tornou notável em 2020, quando a taxa de crescimento caiu para abaixo de 1 por cento. Essa mudança despertou discussões e previsões sobre um possível declínio na população global. As Nações Unidas (ONU) projetaram que até 2050, as populações de 61 países poderiam diminuir em 1 por cento ou mais.

Um dos principais impulsionadores desse fenômeno é a taxa de fertilidade global. A edição de 2022 das World Population Prospects, um relatório anual da ONU, destaca que dois terços da população mundial residem em regiões onde a fertilidade média durante a vida é inferior a 2,1 filhos por mulher. Esse número é significativo, pois está abaixo da taxa de fertilidade de reposição, teoricamente a taxa necessária para manter os números atuais de uma população. Apesar dessa tendência, especialistas como John Wilmoth, diretor da divisão de população do departamento de assuntos econômicos e sociais da ONU, sugerem que o impacto na população global pode ser limitado até 2050. No entanto, se a baixa fertilidade persistir por várias décadas, isso poderia levar a uma desaceleração mais acentuada no crescimento da população na segunda metade do século.

Implicações das Mudanças Demográficas

As implicações dessas mudanças demográficas são multifacetadas. Uma população em declínio e envelhecimento apresenta desafios únicos. Em 2018, pela primeira vez na história, o número de pessoas com 65 anos ou mais globalmente superou o número daquelas com menos de cinco anos. Esse envelhecimento demográfico pode levar a vários problemas, como uma força de trabalho reduzida e uma demanda crescente por sistemas de saúde e bem-estar.

Os impactos econômicos dessas mudanças também são notáveis, levando a ONU a aconselhar os países com populações envelhecidas a adaptar programas públicos para atender ao crescente número de idosos. Essa adaptação inclui o estabelecimento de sistemas de saúde universais, cuidados de longo prazo e a melhoria da sustentabilidade de sistemas de seguridade social e de pensões.

Outra preocupação é a potencial estagnação do conhecimento e do padrão de vida devido à diminuição do fluxo de novas ideias. Essa redução pode ser uma consequência de uma população menor e mais velha, que pode impactar negativamente a economia e o progresso social em geral.

Contrastando, alguns especialistas veem benefícios potenciais nessa mudança demográfica. Wang Feng, professor de sociologia da Universidade da Califórnia, Irvine, aponta que os países que estão experimentando um declínio populacional também testemunharam aumentos na educação e no emprego, além de maior liberdade reprodutiva e oportunidades profissionais para mulheres. Feng argumenta que, em vez de resistir a essa tendência inevitável, as sociedades deveriam aceitá-la e adaptar-se, reconhecendo os potenciais benefícios que ela pode trazer.

Fonte: IFLScience

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