Depois de todo esse tempo procurando por alienígenas, estamos presos à hipótese do zoológico?

por Lucas
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Em 1950, Enrico Fermi, físico no Laboratório Nacional de Los Alamos, provocou um importante discurso científico com uma simples pergunta: “Onde está todo mundo?” Essa questão encapsula a essência do que agora é conhecido como o Paradoxo de Fermi. O paradoxo surge da contradição entre a alta probabilidade de existirem civilizações extraterrestres no universo, dada sua vastidão e idade, e a completa falta de evidências ou contato com tais civilizações.

O Paradoxo de Fermi é baseado no entendimento de que o universo tem aproximadamente 13,8 bilhões de anos, com o nosso Sistema Solar formado cerca de 4,5 bilhões de anos atrás. O paradoxo destaca a abundância de ingredientes necessários para a vida em todo o universo e questiona por que, dadas essas condições, não há evidências de inteligência extraterrestre.

O tema ganhou destaque novamente devido à descoberta de numerosos exoplanetas “potencialmente habitáveis” em sistemas estelares distantes. Apesar dessas descobertas, as buscas por tecnossinais, ou sinais de atividade tecnológica dessas civilizações, não produziram resultados. Os astrobiólogos Ian A. Crawford e Dirk Schulze-Makuch, em um estudo publicado na Nature Astronomy, abordam esse paradoxo, propondo duas explicações principais. Uma possibilidade é a extrema raridade ou inexistência de civilizações extraterrestres (ETCs). Alternativamente, a “Hipótese do Zoológico” sugere que essas civilizações podem estar evitando intencionalmente o contato conosco.

As origens do paradoxo remontam a Michael Hart, um astrônomo e nacionalista branco, que em 1975, em seu artigo “Explicação para a Ausência de Extraterrestres na Terra”, argumentou que, dada a idade do universo e o tempo que levaria para uma civilização se espalhar pela Via Láctea (cerca de 650.000 anos), a Terra já deveria ter sido visitada. Em 1980, Frank J. Tipler, um físico matemático e cosmologista, expandiu as ideias de Hart. O artigo de Tipler, “Seres Inteligentes Extraterrestres não Existem”, baseado no Princípio Copernicano, sugeriu que uma ETC poderia usar exploradores robóticos auto-replicantes para se espalhar pela galáxia em menos de 300 milhões de anos.

A Conjectura Hart-Tipler surgiu desses argumentos, implicando que a ausência de evidências de ETCs aponta para a sua inexistência. Carl Sagan e William Newman, em 1983, contestaram isso com seu artigo “A Abordagem Solipsista para a Inteligência Extraterrestre”, argumentando que a ausência de evidência não é evidência de ausência. Eles criticaram a Conjectura Hart-Tipler por suas numerosas suposições. Vários cientistas desde então propuseram teorias para explicar por que nenhuma ETC foi observada.

Apesar de extensas observações e pesquisas do SETI (Busca por Inteligência Extraterrestre), nenhuma evidência conclusiva de civilizações extraterrestres avançadas foi encontrada. Essas pesquisas envolveram principalmente experimentos de SETI de rádio observando estrelas e galáxias distantes para transmissões de rádio. Outros experimentos do SETI buscaram por assinaturas infravermelhas anômalas indicativas de megaestruturas como Esferas de Dyson, que são estruturas teóricas destinadas a envolver um sistema estelar.

Crawford e Schulze-Makuch, analisando o contínuo “Grande Silêncio” no contexto do Paradoxo de Fermi, concluem que isso indica ou a precisão da Conjectura Hart-Tipler ou a raridade da vida inteligente devido ao “Grande Filtro”, um conceito que sugere que certos estágios na evolução da vida são extremamente improváveis. Alternativamente, se esses cenários estiverem incorretos, a única explicação restante é a Hipótese do Zoológico, que postula que civilizações avançadas estão deliberadamente evitando detecção.

A Hipótese do Zoológico foi proposta pela primeira vez em 1973 por John A. Ball, um astrofísico de Harvard. O conceito de Ball sugere que espécies avançadas estão intencionalmente evitando interação conosco e designaram nossa região como uma espécie de zoológico cósmico. Esta teoria contrasta com a Hipótese do Planetário, que também sugere evasão por civilizações avançadas, mas sem a suposição de intenções benignas.

Crawford e Schulze-Makuch expressam opiniões divergentes sobre a probabilidade da Hipótese do Zoológico versus a inexistência de ETCs. Crawford tende a se inclinar para a raridade da inteligência extraterrestre, enquanto Schulze-Makuch acha a Hipótese do Zoológico mais plausível, parcialmente influenciada pelos relatórios aumentados de fenômenos aéreos não identificados (UAP), conforme detalhado no Relatório UFO.

A discussão também aborda a possibilidade de que a humanidade possa estar procurando por tecnossinais nos lugares errados, sugerindo a necessidade de procurar evidências de tecnologia e artefatos de ETCs dentro do nosso Sistema Solar. Essa abordagem está sendo perseguida por Avi Loeb e seus colegas no Projeto Galileo.

Crawford e Schulze-Makuch concordam que o melhor curso de ação é continuar a exploração sistemática do universo. Isso inclui tanto pesquisas do SETI quanto buscas por artefatos de ETCs dentro do Sistema Solar. À medida que a tecnologia avança, a capacidade de detectar biossinais, ou indicações de vida ou processos biológicos nas atmosferas de exoplanetas, irá melhorar. Essas descobertas podem fornecer informações sobre a prevalência de vida e inteligência no universo.

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