Enormes estrelas magnéticas detectadas fora da Via Láctea pela 1ª vez

por Lucas
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Campos magnéticos em estrelas são fascinantes, e acabamos de alcançar um marco ao detectá-los em estrelas fora da nossa galáxia pela primeira vez.

O Sol tem um campo magnético que se torce e se enrosca, levando a manchas solares que às vezes causam auroras espetaculares na Terra. Mas o campo magnético do Sol é fichinha comparado ao de algumas estrelas. Algumas delas têm campos magnéticos tão poderosos que, quando morrem, podem se tornar magnetares. Esses magnetares causam rajadas de raios gama de longa duração, supernovas raras e outros mistérios cósmicos.

Então, por que algumas estrelas obtêm esses campos magnéticos supercarregados? Não sabemos direito. Parte do problema é que não podemos observar tantas estrelas em estágios chave de suas vidas. Há teorias—como talvez esses campos se formem quando estrelas binárias se fundem ou trocam massa—mas nada está confirmado.

Não detectamos estrelas galácticas altamente magnéticas com baixo conteúdo de metal. Isso pode sugerir que estrelas com pouco metal não têm campos magnéticos fortes, mas também pode ser que nossa amostra seja pequena demais. Essa questão importa porque estrelas com pouco metal são como cápsulas do tempo cósmicas, nos dando pistas sobre o universo primitivo. Até recentemente, tentar encontrar essas estrelas magnéticas fora da nossa galáxia era um fracasso.

Aqui está como detectamos campos magnéticos no espaço: através da luz polarizada. Normalmente, a luz do espaço é uma bagunça de orientações aleatórias. Mas a luz afetada por um campo magnético se polariza, e podemos detectar isso através da espectropolarimetria. O problema? Este método precisa de muitos fótons, e até mesmo as maiores estrelas nas galáxias vizinhas não brilham luz suficiente para uma detecção fácil.

Entra na jogada a era de ouro dos telescópios gigantes. A Dra. Silva Järvinen e sua equipe do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam usaram um dos componentes de 8 metros do Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul para reunir a luz necessária dessas estrelas distantes. É complicado porque uma estrela pode ter um campo magnético fraco demais para ser detectado da Terra, ou o campo pode estar alinhado de uma maneira que não conseguimos detectá-lo.

Para aumentar as chances, a equipe estudou mais linhas espectrais em uma faixa mais ampla de comprimentos de onda e usou tempos de exposição mais longos. Eles se concentraram em quatro estrelas raras Of?p nas Nuvens de Magalhães. Essas estrelas são enormes, com baixo teor de metal, tornando-as perfeitas para este estudo. Apenas cinco estrelas Of?p são conhecidas em nossa galáxia, todas com campos magnéticos fortes, mas elas parecem mais comuns nas Nuvens de Magalhães. A equipe também analisou um sistema binário de estrelas gigantes tão próximas que estão praticamente se tocando.

O resultado? Campos magnéticos detectados em duas estrelas Of?p e no sistema binário. Isso sugere que o magnetismo extremo pode não ser tão raro para estrelas gigantes em ambientes com pouco metal. Essa descoberta abre novas possibilidades para entender eventos extremos no universo primitivo.

O estudo foi publicado na Astronomy and Astrophysics.

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