Os Neandertais e o Homo sapiens são a mesma espécie?

por Lucas
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Neandertais, uma espécie que desapareceu do registro arqueológico há cerca de 40.000 anos, têm sido um assunto de intenso debate entre cientistas. Sua ligação evolutiva próxima com os humanos modernos levou a discussões contínuas sobre se devem ser classificados como uma espécie distinta ou como um subconjunto de Homo sapiens. A descoberta de restos de Neandertais no século XIX desencadeou esses debates, focando em sua classificação baseada em anatomia e, mais recentemente, em genética.

Espécies distintas?

Jeff Schwartz, um antropólogo físico e professor emérito da Universidade de Pittsburgh, destaca as complexidades em definir uma espécie. O conceito de espécie biológica, comumente usado, define uma espécie como um grupo de indivíduos capazes de se reproduzir e produzir descendentes viáveis. No entanto, essa definição encontra desafios, como evidenciado por híbridos como mulas (descendentes de cavalos e jumentos) que são estéreis, e ligres (descendentes de leões e tigres) e beefalos (descendentes de vacas e bisões americanos) que são férteis.

Neandertais foram inicialmente classificados como sua própria espécie, Homo neanderthalensis, em 1864. Essa classificação foi baseada em sua anatomia distinta, já que Neandertais tinham um crânio mais longo e baixo, uma testa mais óssea e um queixo menos proeminente em comparação com Homo sapiens. Eles também tinham corpos mais robustos.

No entanto, a descoberta de outros parentes humanos primitivos, como Homo erectus, Homo heidelbergensis e Homo habilis, complicou as relações evolutivas entre esses grupos. Neandertais exibiam muitas características humanas, e houve sugestões de que compartilhavam habilidades auditivas e vocais semelhantes com os humanos modernos. Além disso, alguns achados controversos sugerem que Neandertais podem ter praticado rituais de sepultamento e criado joias e arte.

Em 1962, um grupo de antropólogos, geneticistas e comportamentalistas se reuniu na Áustria para elaborar uma história evolutiva de parentes humanos. Seu trabalho, “Classificação e Evolução Humana”, categorizou Neandertais sob Homo sapiens como uma subespécie. Essa classificação foi ensinada a muitos, incluindo Schwartz, durante sua educação universitária. No entanto, nas décadas de 1970 e 1980, análises adicionais levaram à reclassificação dos Neandertais como uma espécie separada, que permanece a visão predominante.

Um desenvolvimento significativo no debate ocorreu em 2010 com a publicação do primeiro rascunho do genoma Neandertal. Esta pesquisa, conduzida por uma equipe internacional, comparou o genoma Neandertal com o de humanos modernos e encontrou vestígios de genética Neandertal no genoma humano. Essa evidência sugeriu que Neandertais se cruzaram com ancestrais dos humanos modernos pelo menos 120.000 anos atrás. Pesquisas subsequentes confirmaram essas descobertas, indicando múltiplas instâncias de intercruzamento.

Genética

Jaume Bertranpetit, um biólogo evolucionário da Universidade Pompeu Fabra em Barcelona, Espanha, afirma que as evidências genéticas indicam um claro cruzamento entre Neandertais, Homo sapiens e outro grupo de hominídeos primitivos, os Denisovanos.

Bertranpetit argumenta que esses grupos podem representar diferentes versões da mesma espécie. Ele aponta que os humanos modernos, apesar de diferenças físicas notáveis, são geneticamente muito semelhantes. A variação genética entre quaisquer dois indivíduos é de aproximadamente 0,1%. Em comparação, o genoma Neandertal é 99,7% idêntico ao de cinco humanos atuais. Bertranpetit sugere que diferenças morfológicas significativas não implicam necessariamente em grandes diferenças genéticas.

Schwartz reconhece a importância das evidências genéticas, mas não acredita que elas resolvam conclusivamente o debate. Ele defende uma abordagem interdisciplinar que não dependa exclusivamente da genética. Schwartz enfatiza a necessidade de colaboração entre disciplinas para obter um entendimento abrangente da relação entre Neandertais e humanos modernos.

A pesquisa e o debate contínuos sobre a classificação dos Neandertais refletem as complexidades da biologia evolutiva e os desafios de definir espécies. A interação entre estudos anatômicos e análise genética continua a moldar nosso entendimento da evolução humana e o lugar dos Neandertais dentro dela.

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