Ama o cheiro da chuva? Há um motivo oculto por trás da atração pelo petricor

por Lucas
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Petricor, o cheiro terroso liberado quando a chuva atinge o solo seco, há muito tempo é um tema de interesse para cientistas e entusiastas da natureza. Pesquisas recentes mergulharam mais fundo nas origens desse aroma, atribuindo-o a um composto orgânico chamado geosmina, que é produzido por diversos micróbios, notavelmente o gênero de bactérias Streptomyces. O estudo revela que Streptomyces libera geosmina após a morte, e este composto é detectável por humanos e várias outras criaturas.

A pesquisa, conduzida por uma equipe internacional, teve como objetivo entender por que as bactérias produzem geosmina e se outras criaturas podem perceber e apreciar esse aroma como os humanos. A investigação focou na interação entre Streptomyces e artrópodes que vivem no solo, examinando especificamente como essas criaturas respondem ao cheiro de Streptomyces spp.

Em sua pesquisa de campo, a equipe usou armadilhas iscas com colônias de Streptomyces coelicolor. Os resultados mostraram uma atração significativa de colêmbolos (Collembola) por essas armadilhas em comparação com armadilhas de controle. Colêmbolos, pequenos artrópodes com um apêndice semelhante a uma cauda, habitam materiais orgânicos como folhas no chão de florestas. Os experimentos da equipe, tanto em campo quanto em laboratório, exploraram os efeitos da geosmina e de outro composto, 2-metilisoborneol (2-MIB), em criaturas florestais, com um foco particular em colêmbolos.

Os achados sugeriram que colêmbolos são altamente receptivos à geosmina. Eles podem detectá-la com suas antenas, são atraídos por ela e se alimentam de Streptomyces que a produz. Essa descoberta levantou questões sobre o propósito evolutivo por trás da produção de geosmina por Streptomyces.

Streptomyces, em muitos aspectos, se comporta de maneira semelhante a um fungo. Ele se assemelha a um fungo filamentoso e passa por esporulação como parte de seu processo reprodutivo. Esta esporulação é crucial para a dispersão de seus esporos, vital para a proliferação da bactéria. No entanto, para uma dispersão eficaz, Streptomyces depende de vetores externos, e aqui os colêmbolos desempenham um papel significativo.

Como o estudo revela, colêmbolos consomem colônias de Streptomyces e facilitam a dispersão de esporos. Essa disseminação ocorre por meio de seus pellets fecais e também através de esporos que aderem à sua cutícula hidrofóbica. A equipe de pesquisa concluiu que a produção de geosmina e 2-MIB é uma parte integral do processo de esporulação para Streptomyces. Essa produção garante a disseminação de seus esporos através de artrópodes do solo, completando o ciclo de vida de Streptomyces.

O estudo foi publicado na revista Nature.

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