Cientista sugere que upload mental que cria uma cópia virtual de você para viver para sempre será realidade

por Lucas
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Transumanismo é um campo emergente na interseção da tecnologia, ciência e filosofia que explora o potencial de aprimorar a condição humana superando limitações biológicas. O conceito ganhou força nos últimos anos, impulsionado por avanços rápidos na tecnologia e pelo aumento do interesse nas possibilidades de prolongar a vida humana e as habilidades. Um dos aspectos mais intrigantes do transumanismo é a ideia de transferir a consciência humana para um computador, um conceito que confunde as fronteiras entre biologia e tecnologia, potencialmente levando a uma forma de imortalidade digital.

Transferência de Cérebro: Um Vislumbre da Imortalidade

O processo de transferência de cérebro envolve criar uma cópia digital da consciência de uma pessoa, que pode ser preservada indefinidamente em um ambiente virtual. Esse conceito, embora ainda amplamente teórico, depende da capacidade de mapear e replicar a vasta complexidade do cérebro humano.

O cérebro humano, com suas aproximadamente 86 bilhões de neurônios e trilhões de conexões neurais, representa um desafio formidável para cientistas e tecnólogos. O objetivo é replicar digitalmente essa rede intrincada, preservando não apenas as memórias e conhecimentos de uma pessoa, mas também sua personalidade e consciência.

Clas Weber, professor titular da Universidade da Austrália Ocidental com especialização na filosofia da mente, IA e metafísica, sugere que a tecnologia necessária para a transferência de cérebros pode surgir dentro das próximas décadas. Ele traça um paralelo com o projeto genoma humano, observando os avanços rápidos e a redução dos custos associados ao mapeamento do genoma humano. O que antes levava anos e centenas de milhões de dólares agora pode ser alcançado em questão de horas por uma fração do custo. Essa eficiência poderia pavimentar o caminho para avanços semelhantes no mapeamento e transferência do cérebro.

Implicações Éticas e Filosóficas

No entanto, existem desafios significativos a serem superados. Além das barreiras técnicas de clonagem e transferência da complexidade do cérebro humano, abundam questões filosóficas e éticas. Há um debate em andamento sobre se uma mente digitalmente transferida constituiria uma continuação da pessoa original ou apenas uma entidade sintética com memórias e características semelhantes. Esse dilema toca em questões profundas sobre identidade, consciência e o que significa ser humano.

Um dos principais problemas é a natureza da consciência e da identidade. Se um cérebro for transferido para um computador, o ente digital resultante representa a mesma pessoa ou é uma nova entidade distinta? Essa questão desafia nossa compreensão da identidade pessoal e da continuidade do eu.

Clas Weber usa a analogia de um transplante de cérebro para ilustrar esse dilema. Se o cérebro de uma pessoa fosse transplantado para outro corpo, o indivíduo resultante seria a pessoa original ou o doador do corpo? Essa questão se estende à transferência de mente, onde a linha entre o doador do material biológico e o receptor da consciência digital fica obscurecida.

Além disso, há preocupações sobre as implicações sociais dessa tecnologia. Questões de acessibilidade, equidade e potencial de uso indevido são grandes preocupações. A ideia de imortalidade digital poderia exacerbar as desigualdades sociais existentes, com o acesso a essa tecnologia potencialmente limitado aos ricos ou privilegiados. Além disso, os impactos a longo prazo na sociedade, cultura e interação humana são imprevisíveis e podem ser profundos.

Com informações de The Conversation

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