Conheça a zona hadal, o submundo onde reinam a escuridão, o frio e as pressões esmagadoras

por Lucas
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A zona hadal, nomeada em homenagem a Hades, o deus grego do submundo, representa uma parte significativa e amplamente inexplorada do oceano. Estende-se às partes mais profundas do mar, começando em profundidades de 6.000 metros e alcançando até cerca de 11.000 metros. Esta área é dividida em duas subzonas: a zona abissal, que varia de 6 a 10 mil metros, e a própria zona hadal, que se estende de 10 a 11 mil metros.

Explorar a zona hadal é um empreendimento complexo e dispendioso, motivo pelo qual grande parte dela permanece um mistério. As condições nesta zona são extremas, com escuridão total predominante, pois a luz solar não pode penetrar nessas profundidades. A temperatura também é extrema, com temperaturas da água geralmente variando entre 1 e 4 graus Celsius. Além disso, a pressão na zona hadal é imensa, até 1000 vezes maior que a pressão atmosférica ao nível do mar. É como se sobre sua cabeça estivesse 1.000 vezes o peso de toda a atmosfera do planeta.

Vida nas profundezas

Apesar dessas condições severas, a zona hadal abriga uma diversidade de formas de vida. Esses organismos se adaptaram de maneira única para sobreviver neste ambiente. Peixes nesta zona, por exemplo, desenvolveram olhos grandes para ver no escuro e corpos flexíveis que podem se mover nas águas frias e de alta pressão. Crustáceos na zona hadal possuem carapaças duras para resistir à pressão e órgãos sensíveis à luz para lidar com os baixos níveis de luz. A zona também é lar de vários invertebrados, incluindo diferentes tipos de moluscos, vermes e anelídeos.

Peixe-caracol

Peixe-caracol

Entre as criaturas notáveis encontradas na zona hadal está o peixe-caracol. Além disso, os nematóides se destacam como o animal mais resistente à pressão, prosperando em profundidades de até 11.000 metros.

A exploração humana da zona hadal tem sido limitada, mas significativa. Um evento notável na exploração desta região foi a descida de Jacques Piccard em 1960, que se tornou o primeiro humano a alcançar as profundidades da Fossa das Marianas.

Embora esteja localizado em uma região extremamente remota, até mesmo essas profundidades não estão a salvo dos resíduos humanos. Diversos tipos de lixo, incluindo latas de cerveja e microplásticos, gradualmente se acumulam, descendo das ilhas de lixo na superfície.

A exploração contínua da zona hadal é de grande interesse para os cientistas. Ela apresenta uma oportunidade única de aprender mais sobre a evolução da vida na Terra e as condições extremas que as formas de vida podem suportar. O ambiente extremo da zona e as adaptações de seus habitantes oferecem insights valiosos sobre a resiliência e diversidade biológica.

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1 comentário

Aurélio Soldateli 31/12/2023 - 11:30

Informações preciosas.

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