Descoberta origem dos ‘fantasmas’, eventos luminosos transitórios na atmosfera

por Lucas
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Imagine olhar para o céu noturno e ver um lampejo de luz que não é uma estrela ou um satélite, mas algo muito mais elusivo. Esse é o reino da mesosfera, uma camada da nossa atmosfera localizada a cerca de 50 a 85 quilômetros acima da Terra. Anteriormente pensada como livre de atividade elétrica, esta região guarda um segredo: é o lar de gigantescos e breves lampejos de luz, um fenômeno que tem intrigado cientistas por décadas.

Esses lampejos não são apenas luzes comuns; eles são especiais e raros, conhecidos como Eventos Luminosos Transitórios (ELTs). O que os torna extraordinários é sua origem. Eles estão relacionados aos relâmpagos das tempestades, mas em vez de atingir para baixo, eles disparam para cima, dezenas de quilômetros acima das nuvens. Um dos tipos mais fascinantes entre eles é conhecido como ‘fantasmas’ ou Emissões Ópticas Esverdeadas dos Topos dos SpritesEl Tiempo. Esses lampejos despertaram uma onda de curiosidade na comunidade científica.

Descoberta origem dos 'fantasmas', eventos luminosos transitórios na atmosfera

Capturando os Fantasmas Elusivos

Imagine tentar capturar um fantasma – não o tipo assustador, mas um lampejo fugaz no céu. Esse tem sido o desafio para cientistas e observadores amadores. Esses fantasmas são elusivos, aparecendo apenas nas regiões superiores dos ‘sprites’ – outro tipo de ELT que se assemelha a um duende com uma parte superior difusa e região inferior cheia de filamentos semelhantes a tentáculos. Os sprites (imagem em destaque) por si só são um espetáculo, estendendo-se de quarenta a quase cem quilômetros acima do solo, e às vezes, são acompanhados por esses misteriosos fantasmas esverdeados.

A busca para entender esses fenômenos tem sido uma jornada de paciência e precisão. María Passas Varo, pesquisadora no Instituto de Astrofísica da Andaluzia, lidera a carga neste campo empolgante. Ela e sua equipe embarcaram em uma campanha sistemática de observação, visando capturar o espectro dessas luzes elusivas. Um espectro é como uma impressão digital; ele nos diz sobre a temperatura e composição do que estamos observando. Mas capturar um espectro de um fantasma não é fácil. Requer uma combinação de sorte, habilidade e timing. De milhares de observações, apenas algumas fornecem os dados valiosos necessários para desvendar o mistério desses lampejos.

Uma Revelação nos Céus

Os achados dessas observações minuciosas têm sido nada menos que revolucionários. O lampejo esverdeado dos fantasmas, há muito tempo acreditado ser resultado de interações com o oxigênio atmosférico, revelou uma surpresa. A análise do espectro mostrou que o oxigênio desempenha um papel mínimo na criação dessas luzes fantasmagóricas. Em vez disso, as verdadeiras estrelas do espetáculo são metais como ferro e níquel. Esses metais, nunca antes considerados em modelos ópticos para ELTs, agora são a chave para entender esses eventos mesmerizantes.

Esta descoberta tem implicações além do estudo de luzes no céu. Ela exige uma atualização nos modelos para ELTs, crucial para entender o circuito elétrico global da Terra. Mas talvez mais intrigante seja a fonte desses metais. Eles se originam de poeira interestelar entrando em nossa atmosfera, e sua presença é influenciada por ondas de gravidade – perturbações causadas por movimentos verticais intensos no ar.

A revelação de que essas luzes fantasmagóricas são uma dança de metais interestelares em nossa atmosfera adiciona uma camada de maravilha ao nosso entendimento das altas altitudes da Terra. É um lembrete da interconexão de nosso planeta com o vasto cosmos além.

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