O que está fazendo com que a rotação da Terra dure menos de 24 horas?

por Lucas
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Em desenvolvimentos recentes, encontramos um fenômeno fascinante e um tanto perplexo: a rotação da Terra está acelerando, resultando em dias marginalmente mais curtos do que as 24 horas padrão. Em 29 de julho de 2022, foi estabelecido um recorde para o dia mais curto já registrado, com a Terra completando sua rotação 1,59 milissegundos mais rápido do que o usual. Essa mudança aparentemente menor levanta questões intrigantes sobre as forças em ação e os impactos potenciais em nossas vidas diárias, incluindo a operação precisa de celulares e outras tecnologias dependentes de cronometragem exata.

Primeiramente, é importante entender que o comprimento de um dia nem sempre foi constante em 24 horas. A velocidade de rotação da Terra varia devido a uma infinidade de fatores. O relatório do jornal The Telegraph sobre este evento incomum trouxe à luz a complexidade da dinâmica rotacional da Terra. Embora as razões exatas para esta aceleração permaneçam um assunto de pesquisa e debate em andamento, várias hipóteses foram propostas pela comunidade científica.

Uma das principais teorias aponta para a influência da lua. Sabe-se que a atração gravitacional da lua tem efeitos significativos na Terra, mais notavelmente na criação de marés. A fricção das marés, resultante da interação gravitacional entre a Terra e a lua, tradicionalmente se pensava que retardava a rotação da Terra. No entanto, essa relação é complexa e outros fatores podem estar em jogo, contribuindo para a recente aceleração.

O Balanço de Chandler

Outro aspecto intrigante é o Balanço de Chandler, um fenômeno identificado pela primeira vez em 1891 pelo astrônomo americano Seth Carlo Chandler. Esse balanço refere-se a um pequeno e irregular movimento no eixo de rotação da Terra. Embora seja um fenômeno bem documentado, sua causa exata permanece um mistério. As teorias vão desde interações com correntes oceânicas e mudanças na pressão atmosférica até alterações no núcleo da Terra. Esse balanço pode causar desvios na rotação da Terra de até nove metros de sua posição esperada no eixo em um período de aproximadamente 433 dias.

A aceleração contínua da rotação da Terra pode ter implicações de longo alcance. Uma preocupação imediata é o impacto na cronometragem. Desde a década de 1970, os relógios atômicos têm sido o padrão para medir o tempo, com segundos intercalares ocasionalmente adicionados para garantir a sincronização com a velocidade de rotação da Terra.

No entanto, se a Terra continuar a girar mais rápido, podemos enfrentar o cenário inédito de precisar subtrair um segundo intercalar. Esse ajuste é crucial para manter a precisão dos sistemas globais de comunicação e navegação, que dependem do alinhamento exato das tecnologias baseadas em satélites com a rotação da Terra.

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