Planetas como a Terra podem se formar mesmo em ambientes hostis, descobriu o Telescópio Espacial James Webb

por Lucas
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O Telescópio Espacial James Webb (JWST) detectou água e moléculas orgânicas de carbono perto de uma estrela jovem, massiva e ativa na NGC 6357, uma região de formação de estrelas da Via Láctea. Essa revelação acende a possibilidade de exoplanetas semelhantes à Terra se formarem em ambientes cósmicos hostis, potencialmente exibindo condições habitáveis.

Os Segredos da NGC 6357

Uma equipe diligente do Instituto Max Planck de Astronomia (MPIA) em Heidelberg, Alemanha, direcionou o olhar do JWST para a NGC 6357, a cerca de 5.500 anos-luz de distância. Sua missão era decifrar a composição química ao redor das estrelas nascentes do aglomerado e avaliar seu potencial para abrigar vida.

NGC 6357, um berço de estrelas massivas, é um caldeirão de atividade. Estrelas jovens brilham intensamente, emitindo flares estelares e radiação ultravioleta intensa, criando um ambiente aparentemente hostil. No entanto, contra todas as probabilidades, as observações do JWST revelaram um disco formador de planetas, chamado XUE-1, circundando uma dessas estrelas. Este disco contém ingredientes vitais para a vida como a conhecemos, como água e dióxido de carbono.

María C. Ramírez-Tannus, astrônoma do MPIA e autora principal do estudo, expressou seu entusiasmo: “Este resultado é inesperado e empolgante! Mostra que existem condições favoráveis para formar planetas semelhantes à Terra e os ingredientes para a vida mesmo nos ambientes mais hostis da nossa galáxia.”

Um Avanço na Pesquisa Exoplanetária

XUE-1 orbita uma estrela semelhante ao sol, vizinha de estrelas maiores e mais agressivas. A participação do JWST permitiu aos astrônomos estudar este disco distante com detalhes sem precedentes, uma façanha inatingível antes de sua implantação. Esta descoberta desafia as suposições anteriores de que a intensa radiação ultravioleta de estrelas massivas poderia interromper a formação de planetas habitáveis.

Arjan Bik, astrônomo da Universidade de Estocolmo e coautor do estudo, destacou a importância dessa descoberta. “Se a radiação intensa prejudica as condições para a formação de planetas nas regiões internas dos discos protoplanetários, NGC 6357 é onde deveríamos ver o efeito”, explicou ele.

Curiosamente, a composição química de XUE-1 espelha a de regiões mais calmas da galáxia, sugerindo que as condições propícias à vida são mais disseminadas do que se pensava anteriormente. Além de água e dióxido de carbono, o JWST detectou monóxido de carbono, acetileno e poeira de silicato no disco, todos elementos cruciais na formação de planetas.

O estudo não apenas abre novos caminhos no entendimento da formação de planetas, mas também eleva as esperanças sobre a prevalência de condições de suporte à vida em todo o universo. A equipe do MPIA planeja estender sua pesquisa, mirando outros 14 discos de poeira dentro deste vibrante berçário estelar, na esperança de desvendar mais segredos sobre o potencial de vida em ambientes cósmicos extremos.

As descobertas foram publicadas no Astrophysical Journal Letters na quinta-feira, 30 de novembro.

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