A Terra não é perfeitamente redonda – aqui está o porquê

por Lucas
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A forma dos planetas, incluindo a Terra, é resultado de fenômenos astronômicos complexos. Isso começa com o entendimento de por que os planetas são redondos até certo ponto. A formação dos planetas é um processo gradual onde a matéria colide e se aglomera com o tempo, formando corpos maiores. Conforme esses corpos aumentam em massa, a gravidade intensifica, atraindo mais matéria. Esse processo contínuo resulta em uma massa do tamanho de um planeta.

A gravidade desempenha um papel central na formação dessas massas em formas esféricas. A força gravitacional de um objeto aponta para o seu centro de massa. Quanto maior um objeto, mais maciço ele é e, consequentemente, mais forte é sua gravidade. No entanto, é crucial notar que a gravidade é relativamente fraca em comparação com outras forças. Portanto, um objeto deve alcançar um tamanho significativo antes que sua gravidade possa superar a resistência material de sua composição para moldá-lo em uma forma esférica. É por isso que corpos celestes menores, como certos cometas ou asteroides, muitas vezes têm formas irregulares. Um exemplo notável é o Cometa 67P, que se assemelha a um pato de borracha em forma, destacando a variação nas formas celestes devido à interação da força gravitacional e composição material.

Forma da Terra: Além de uma Esfera Perfeita

Enquanto a gravidade é um fator chave na formação dos planetas, ela não é potente o suficiente para forjar uma Terra perfeitamente esférica. Outras forças entram em jogo, influenciando a forma do planeta. O relato histórico das viagens do astrônomo Jean Richter com um relógio de pêndulo revela insights significativos sobre este aspecto. No século 17, Richter percebeu que o relógio, que era preciso em Paris, perdia tempo em Caiena, Guiana Francesa, e ganhava tempo quando ele retornava a Paris. Essa discrepância foi inicialmente corrigida ajustando o pêndulo, mas depois levou a uma realização revolucionária.

O matemático Christiaan Huygens interpretou a observação de Richter como evidência da rotação da Terra. A variação na precisão do relógio foi atribuída à forma da Terra, em vez de um defeito mecânico. Esse incidente lançou as bases para entender a forma esferoide oblata da Terra, com um abaulamento no equador devido à força centrífuga resultante de sua rotação. O conceito de força centrífuga é semelhante à sensação de ser empurrado para fora em um carrossel giratório. Essa força afeta a forma da Terra, causando um abaulamento equatorial.

A influência da gravidade varia em diferentes pontos da Terra. Perto do equador, a gravidade é ligeiramente mais fraca em comparação com os polos. Essa variação ocorre porque, no equador, está-se mais distante da maior parte da massa da Terra. Consequentemente, o relógio de pêndulo funcionou de maneira diferente em diferentes locais. O abaulamento equatorial da Terra é de aproximadamente 43 quilômetros, um testemunho dos efeitos combinados das forças gravitacionais e centrífugas.

Fenômenos semelhantes são observados em outros corpos celestes. Por exemplo, o planeta anão Haumea, aproximadamente do tamanho de Plutão, tem uma forma de ovo atribuída à sua rápida rotação. Isso ilustra como a velocidade de rotação pode impactar significativamente a forma de um corpo celeste. A forma da Terra, embora não tão extrema quanto a de Haumea, é influenciada por essas forças dinâmicas, resultando em sua forma esferoide oblata distinta.

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