O Sol é menor do que pensávamos, e isso muda muita coisa

por Lucas
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Em um estudo que redefiniu nossa compreensão do Sol, cientistas fizeram uma descoberta notável sobre o verdadeiro tamanho da nossa estrela. Essa descoberta, que se desvia das medições há muito aceitas, tem implicações significativas não apenas para a física solar, mas também para nossa compreensão mais ampla do cosmos.

Redefinindo a Medição Solar

Por décadas, astrônomos mediram o tamanho do Sol observando sua fotosfera, a camada que emite luz, particularmente durante eclipses solares. Este método tradicional, que remonta aos anos 1970, estimava o raio do Sol em aproximadamente 695.990 quilômetros. No entanto, a pesquisa mais recente introduziu uma abordagem transformadora, empregando os princípios da heliossismologia, um ramo de ponta da física solar. Este método, distinto das medições ópticas usadas no passado, revelou que o Sol é ligeiramente menor do que se acreditava anteriormente.

Heliossismologistas da Universidade de Tóquio e do Instituto de Astronomia de Cambridge lideraram essa pesquisa. Eles utilizaram dados do Michelson Doppler Imager (MDI) a bordo do Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), uma missão conjunta da NASA e da ESA. Analisando o movimento de ondas sonoras conhecidas como ondas-p, que atravessam todo o Sol, incluindo seu núcleo, os cientistas foram capazes de medir as frequências das ondas-f do Sol. Essas ondas fornecem uma representação mais precisa do tamanho do Sol, levando à descoberta de que ele é cerca de 0,03% a 0,07% menor do que os métodos baseados em luz sugeriam.

Implicações das Novas Descobertas

Essa revelação é mais do que uma mera curiosidade científica. O raio recém-calculado do Sol, aproximadamente 695.780 quilômetros, resulta em um diâmetro de 1.391.560 quilômetros — uma mudança modesta em porcentagem, mas significativa no grande esquema da compreensão solar e cósmica. Essa medição refinada tem implicações importantes para vários aspectos da ciência solar e nossa compreensão de fenômenos estelares.

Os resultados do estudo, publicados nos Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, fornecem insights que vão além do tamanho. Por exemplo, essas descobertas podem influenciar nossa compreensão das tempestades solares e seu potencial impacto na Terra. Uma compreensão precisa do raio do Sol é crucial para prever e se preparar com precisão para esses eventos, que podem ter consequências sérias para as telecomunicações e outras tecnologias na Terra.

Além disso, a pesquisa abre novas vias para entender a estrutura interna e a dinâmica do Sol. Inferências sismológicas sobre o Sol, como apontado por Douglas Gough da Universidade de Cambridge e Masao Takata da Universidade de Tóquio, podem lançar luz sobre aspectos como reações nucleares, composição química e a estrutura básica da nossa estrela. Esse conhecimento é vital para refinar nosso modelo solar padrão e para interpretar outras propriedades solares, como a inversão da velocidade do som.

A discrepância entre os métodos baseados em ondas e visuais de medir o tamanho do Sol ainda não é totalmente compreendida. Os cientistas especulam que isso pode estar relacionado ao ciclo solar, o período de 11 anos de atividade solar variável. Esse aspecto destaca a natureza dinâmica e em constante mudança do nosso Sol, sublinhando a importância da observação e estudo contínuos.

Fonte: Muy Interesante

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